Medeia - Recriação poética da tragédia de Eurípides

    Sophia de Mello Breyner Andresen

    Caminho
    2006
    76 páginas
    2h 32m
    ISBN-13: 9789722117975
    Português

    Uma obra fundadora que surpreende, para além do seu valor literário e poético, pela intemporalidade, trazida até nós na tradução inconfundível de Sophia de Mello Breyner Andresen. Medeia foi representada no ano de 431 a.C. Apesar da força que ainda hoje nos transmite, Eurípides conseguiu com esta tragédia, considerada por muitos críticos a sua melhor obra, apenas o terceiro lugar. Euforion obteve o primeiro prémio e Sófocles o segundo. Como noutras ocasiões, o público escandalizou-se perante as paixões humanas dos heróis de Eurípides. A trama da obra insere-se no ciclo mítico dos Argonautas, que, comandados por Jasão, partem para os confins do mar Negro em busca do velo de ouro. Medeia, filha do rei da Cólquida, enamora-se loucamente por Jasão e contribui de forma decisiva para o êxito da empresa do seu amado. Ligada no mito à magia e a práticas pouco civilizadas, Medeia actua sem vacilar a favor dos interesses de Jasão e assume inclusivamente o assassinato e o despedaçamento do seu próprio irmão. De regresso a Iolco, Medeia aniquila Pélias, que tinha usurpado o trono a Jasão; em consequência disso, o casal refugia-se em Corinto. É nesta cidade que se situa a trama da tragédia.

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    Régis Maz03/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Personificação da Vingança...

    Medéia após ser traída e abandonada por  seu marido Jasão, que se casa com Glauce, filha do rei de Corinto, Creonte. Decide se vingar de ambos, e para isso arquiteta uma terrível vingança. Nessa tragédia Eurípides trata do amor de uma mulher, que após ser traída, se transforma em puro desejo de vingança, essa, levada as últimas consequências para fazer com que o traidor sinta toda a dor que lhe foi impingida. Medéia é a personificação da vingança e de certa forma Jasão mereceu tal sorte. Ela abandonou Cólquida, sua terra, e incitada por Jasão: causou a morte de  seu irmão, Pelias, traiu seu pai, Aietes, (ajudando Jasão a roubar o Velocino de ouro) e após lhe jurar fidelidade eterna no templo de Hecate, Jasão a abandona e permite que seja exilada pelo Rei de Corinto. Ela com certeza teve seus motivos para se vingar.  "Sim, lamento o crime que vou praticar, porém maior do que minha vontade é o poder do ódio, causa de enormes males para nós, mortais!" Não concordo com tudo que Medéia fez, mas a devastação de sua alma fica clara durante a leitura e seus atos (exceto um), são completamente justificados pelo teor de sua ira. Essa peça é intensa e brutal, me fez sentir asco em vários momentos pelos atos praticados tanto por Jasão, quanto por Medéia, mas também me causou pena pelo destino dessa mulher, que abriu mão de tanta coisa pelo marido e, que foi paga com a mais desleal das traições. A leitura é rápida e empolgante, a tradução é ótima e torna a leitura prazerosa. É uma peça trágica que com certeza,  adoraria ver encenada. Recomendo.

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