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    Ninguém me Há de Ver Chorar - Uma viagem aos limites do desejo e da loucura, num fresco inesquecível de vozes e olhares mexicanos

    Cristina Rivera Garza

    Bertrand Brasil
    2012
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9789722524155
    Espanhol
    3.7
    41 avaliações
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    Estamos no ano 1920 e Joaquín Buitrago, que por azar da sua atormentada vida se dedicou a fotografar pacientes do manicómio mexicano La Castañeda, encontra entre as mulheres que retrata Matilda Burgos. Obcecado com a identidade desta doente, uma vez que está convencido de que a conheceu anos antes no célebre bordel La Modernidad, trata de reunir informações sobre ela. Tal como Joaquín vai descobrindo a pouco e pouco, Matilda, que nasceu nos campos onde se cultivava a perfumada baunilha, chegou de pequena à capital para cair nas mãos de um familiar que a usou para pôr em prática uma singular teoria médico-social. A maré de recordações, a partir da qual vai surgindo a turbulenta existência de Matilda, provoca também no fotógrafo uma reflexão acerca da sua própria vida e da sua dependência dos narcóticos. E talvez consigam os dois alcançar um futuro que os redima da derrota moral e psíquica em que se encontram. Seja como for, terá valido a pena a viagem até ao passado.

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    Aline T.K.M. picture
    Aline T.K.M.14/04/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Pequeno tesouro que jamais sairá da minha prateleira!

    LEIA MAIS RESENHAS EM: http://escrevendoloucamente.blogspot.com Devo começar dizendo que Ninguém Me Verá Chorar não é um livro de leitura muito fácil. Não há tantos diálogos e os capítulos são bastante extensos. Apesar disso, me agradou bastante a linguagem, a forma como a autora nos faz descobrir as etapas da vida de Matilda Burgos. No livro, passado e presente intercalam-se o tempo todo, e algumas vezes fica difícil se situar durante a leitura. Mas isso definitivamente não chega a ser um ponto negativo, uma vez que está ligado intrinsecamente ao jeito como a história nos é mostrada, e não consigo imaginar o livro escrito de outra forma senão essa. Cada personagem possui personalidade e desenvolvimento excepcionais. É difícil não se envolver. Merecem destaque as fichas médicas ao longo da história (mais precisamente no capítulo 3) que nos contam um pouco de alguns internos do La Castañeda, inclusive com passagens em primeira pessoa, relatos. Outro ponto que merece ser mencionado é a forma como se mesclam as histórias individuais dos personagens e o momento histórico do México de então, os conflitos políticos, as perseguições. Somos levados para dentro do livro e quase podemos ver diante de nós o que nos é descrito com maestria pela autora. Apesar da história da protagonista ser fictícia segundo a autora, uma reconstrução livre, fruto da imaginação a obra é baseada em relatórios clínicos, documentos oficiais, cartas de internos do Manicômio Geral (conhecido como La Castañeda). A autora explica nas notas finais do livro: Os dados históricos sobre o mundo das ruas, do manicômio e outras instituições de controle social no México porfiriano e na alvorada da pós-revolução provêm da minha tese de doutorado em história latino-americana. Achei particularmente interessante a relação entre Joaquín Buitrago e o médico Eduardo Oligochea (que foi cúmplice ao fazer com que Joaquín tivesse acesso à ficha médica de Matilda). Joaquín, durante todo o tempo, sabia que uma relação de amizade seria necessária para chegar ao seu objetivo; Eduardo, hermético e sistemático, se resguardava tão bem quanto ouvia tudo com paciência. Matilda Burgos é um enigma a ser decifrado ao longo do livro. Incompreensível em meio ao labirinto de sua própria vida, mas ao mesmo tempo de uma vulnerabilidade não óbvia. Chego até mesmo a pensar (mesmo não me sentindo no direito de tirar tais conclusões), que se Matilda tivesse aprendido a enfrentar e compartilhar suas perdas, sua dor, seu caminho teria sido outro, talvez nunca tivesse ido parar em um manicômio. Nem preciso dizer que adorei o livro, inclusive fiquei bastante interessada em ler outras obras de Cristina Rivera Garza. E com certeza o farei! Por fim, durante toda a leitura, fui surpreendida e deleitei-me com belas frases, cheias de significados não escancarados, mas que fazem pensar e concordar. Deixo algumas dessas frases aqui: *Nos edifícios da linguagem sempre há corredores sem luz, escadas imprevistas, sótãos ocultos atrás das portas fechadas, cujas chaves se perdem nos bolsos furados do único dono, o soberano rei dos significados. *Há certas conversas que só podem se realizar em silêncio. *O abraço que antecede o amor, no qual o amor culmina, é tépido como uma brisa, escuro como uma mina. Uma fotografia. LEIA MAIS RESENHAS EM: http://escrevendoloucamente.blogspot.com

    4 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 41
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas44%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%
    Cristina Rivera Garza profile picture

    Cristina Rivera Garza

    Cristina Rivera Garza nasceu em Matamoros, no México, região fronteiriça com os Estados Unidos, em outubro de 1964. Aos 15 anos, mudou-se para a Cidade do México e, desde 1989, vive nos Estados Unidos. É autora de livros de contos, poesia e não-ficção. Entre seus livros estão Nadie me verá llorar e Autobiografía del algodón. Recebeu prêmios como o Anna Seghers de literatura latino-americana, o Bellas Artes de Novela José Rúben Romero, o Excelencia en las Letras José Emilio Pacheco, o Sor Juana Inés de la Cruz (duas vezes), o Roger Caillois e o recente Xavier Villarrutia. Tem sido traduzida ao inglês, italiano, alemão, coreano, francês, esloveno e português. É formada em Sociologia, doutora em História e professora da Universidade de Houston, onde fundou o doutorado em Escrita Criativa.

    16 Livros
    12 Seguidores

    Cristina Rivera Garza