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    Estrela Distante (Coleção Folha Literatura Ibero-Americana #14) -

    Roberto Bolaño

    Folha de S.Paulo
    2012
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788579490606
    Português Brasileiro
    4
    434 avaliações
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    George Steiner, crítico que Roberto Bolaño admirava, propôs como emblema da imbricação entre cultura e barbárie a imagem do funcionário nazista que, durante o dia, trabalha num campo de extermínio e, à noite, recolhe-se aos seus aposentos para ler Goethe ou escutar Bach. Bolaño, que sabia que o nazismo, embora derrotado em 1945, talvez jamais desaparecesse do mundo, publicou em 1996 um livro no qual transpunha da Europa a seu continente natal a constatação de Steiner: A literatura nazista na América era o seu título. No último capítulo, resumia, em poucas páginas, a história do infame Ramírez Hoffman, poeta de vanguarda e torturador a serviço do governo de Pinochet. Na novela Estrela distante, do mesmo ano, retomou, com fôlego mais amplo, a figura de Hoffman, que então se chama Carlos Wieder – em alemão, "outra vez": modo de nomear a persistência do nazismo como eterno retorno ou compulsão à repetição, "mal absoluto" (isto é, recorrente, perpétuo, infernal) sempre a nos ameaçar.

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    Arsenio Meira picture
    Arsenio Meira11/06/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Estrela Memória ou o Sentido de se vingar contra ausência

    "Estrela Distante" tem como ponto de partida o sumiço de Carlos Wieder ou Alberto Tuiz-Tagle. Bolaño urdiu "Estrela distante" como uma espécie de poema em prosa e construiu um mosaico sobre o ato de desaparecer, com o intuito de compreender a ausência em tempos sombrios. Para tanto, lançou seu personagem como paradigma de todos aqueles que desapareceram. É certo que Gabriel García Márquez justapôs todos os ditadores da América Latina num só em "O outono do patriarca". "Estrela Distante" agiu como o bálsamo peculiar das prosas envolventes, acrescida com um incessante clima de tensão, um fatalismo inevitável.Tudo isto levou-me a ler este breve e imenso romance de uma sentada. Bolaños aponta que o passado é sempre conflituoso. A ele se referem, em concorrência, a memória e a história, porque nem sempre a história consegue acreditar na memória, e a memória desconfia de uma reconstituição que não coloque em seu centro os direitos da lembrança: direitos de vida, de justiça,de subjetividade. Pensar que poderia existir um entendimento fácil entre essas perspectivas sobre o passado é um desejo ou um lugar-comum. E Bolaño não vai na onda do lugar-comum. Nem sequer resvala no clichê, e permanece (distante) de tal arapuca. Para nossa sorte e encanto.

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