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    Estrela distante -

    Roberto Bolaño

    Companhia das Letras
    2009
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788535915624
    Português Brasileiro
    4
    434 avaliações
    Leram641Lendo24Querem463Relendo1Abandonos7Resenhas31
    Favoritos23Desejados463Avaliaram434

    Um jovem poeta, que frequenta as oficinas literárias de uma universidade chilena no início dos anos 1970, some de circulação depois do golpe militar de 1973 e reaparece com outro nome, como um piloto audaz que escreve versículos bíblicos e estranhos poemas nos céus do Chile. Alberto Ruiz-Tagle é um jovem poeta esquivo e sedutor que frequenta, nos primeiros anos da década de 1970, as oficinas literárias da universidade de Concepción, no Chile. Com o golpe militar que se abate sobre o país em 1973, ele some de circulação, como praticamente todos os participantes das oficinas. Logo após o golpe, surge espetacularmente nos céus do país um audacioso aviador, Carlos Wieder, que escreve no ar versículos bíblicos e estranhos poemas. O narrador de Estrela distante, ele próprio um poeta iniciante, demora pouco para perceber que Ruiz-Tagle e Wieder são a mesma pessoa. Intrigado pelas múltiplas facetas desse estranho personagem, o narrador tenta seguir seu rastro e acaba por descobrir ao longo dos anos, e em vários países, sinais do envolvimento do poeta-aviador com os mais sórdidos aspectos da ditadura militar chilena. Com sua habitual mistura de documento, ensaio, memórias pessoais e ficção, Roberto Bolaño faz deste pequeno romance um retrato subjetivo da sua própria geração, que tinha em torno de vinte anos quando ocorreu a derrubada do governo Salvador Allende e a implantação de uma das mais sangrentas ditaduras militares do continente. Uma geração ceifada ou traumatizada pela tortura, pelo exílio ou pela morte precoce.

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    Arsenio Meira picture
    Arsenio Meira11/06/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Estrela Memória ou o Sentido de se vingar contra ausência

    "Estrela Distante" tem como ponto de partida o sumiço de Carlos Wieder ou Alberto Tuiz-Tagle. Bolaño urdiu "Estrela distante" como uma espécie de poema em prosa e construiu um mosaico sobre o ato de desaparecer, com o intuito de compreender a ausência em tempos sombrios. Para tanto, lançou seu personagem como paradigma de todos aqueles que desapareceram. É certo que Gabriel García Márquez justapôs todos os ditadores da América Latina num só em "O outono do patriarca". "Estrela Distante" agiu como o bálsamo peculiar das prosas envolventes, acrescida com um incessante clima de tensão, um fatalismo inevitável.Tudo isto levou-me a ler este breve e imenso romance de uma sentada. Bolaños aponta que o passado é sempre conflituoso. A ele se referem, em concorrência, a memória e a história, porque nem sempre a história consegue acreditar na memória, e a memória desconfia de uma reconstituição que não coloque em seu centro os direitos da lembrança: direitos de vida, de justiça,de subjetividade. Pensar que poderia existir um entendimento fácil entre essas perspectivas sobre o passado é um desejo ou um lugar-comum. E Bolaño não vai na onda do lugar-comum. Nem sequer resvala no clichê, e permanece (distante) de tal arapuca. Para nossa sorte e encanto.

    15 curtidas

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    4 / 434
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Roberto Bolaño Ávalos profile picture

    Roberto Bolaño Ávalos

    Bolaño cresceu no México e voltou ao Chile natal no começo dos anos 70, entusiasmado com o governo do presidente socialista Salvador Allende. Derrubado o regime, em 1973, o jovem trotskista foi perseguido e passou alguns dias na prisão. Depois, partiu para a Espanha e, na Costa Brava catalã, acabou fincando raízes. Seus livros tratam de modo original o gênero policial, mas também falam de política e drogas, além de refletir sobre a própria literatura, tendo usualmente escritores --e a si mesmo-- como personagens.

    82 Livros
    223 Seguidores
    Gran Santiago, Chile

    Roberto Bolaño Ávalos