Bonsai -

    Alejandro Zambra

    Teorema
    2008
    79 páginas
    2h 38m
    ISBN-13: 9789726957492
    Português Brasileiro

    Um dia, Júlio e Emília dormem juntos “acidentalmente” e mergulham numa quase banal história de amor, em que “há mais omissões do que mentiras, e menos omissões que verdades, dessas verdades que se chamam absolutas e que costumam ser incómodas”. A única bizarria a que se entregam é o uso da literatura como preliminar erótico, com leituras em voz alta antes do sexo, até ao dia em que um conto de Macedonio Fernández coloca um grão de angústia na engrenagem, que nem Proust conseguirá desbloquear. Logo depois, separam-se e seguem caminhos divergentes. É no vazio deixado por esta história interrompida – primeiro pela distância (Emília muda-se para Madrid); depois pela morte (quando ela se atira para a linha do metro) – que cresce a minúscula árvore da ficção. Há personagens que se cruzam com Júlio (uma amante, um escritor), pequenos ramos logo cerceados pela tesoura de podar. E há enredos paralelos que o narrador contém, com paciência e invisíveis redes de arame, para que não alastrem para lá do vaso em que tudo assenta, o “vaso apropriado” cuja escolha “é quase uma forma de arte só por si”. Através de Júlio, Zambra diz que “cuidar de um bonsai é como escrever” e que “escrever é como cuidar de um bonsai”. Tudo se joga na delicada simetria destas duas frases.

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    Flávia11/01/2026Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Nem sempre o mínimo é mais.

    Bonsái, de Alejandro Zambra, publicado em 2006, é frequentemente apresentado pela crítica como um romance de forte consciência estética. Curto, contido e autocentrado, o livro costuma ser elogiado por seu minimalismo, pela economia de linguagem e pela proposta de reduzir a narrativa ao essencial. Esse é um romance que também é lido como um exercício de metaliteratura, interessado mais na forma e no gesto de escrever do que no desenvolvimento de uma história tradicional. Ainda assim, essa valorização da estética não se converteu, para mim, em sentido. A leitura não produziu impacto, reflexão ou emoção. A contenção se revelou uma verdadeira economia de tudo: de conflitos, de tensão, de ideias, de sentido. Embora seja possível reconhecer o cuidado técnico e a coerência formal do projeto, isso não foi suficiente para sustentar a experiência da leitura, e a sensação final é a de um livro que permanece preso à sua forma, sem conseguir transformá-la em significado. Mesmo sendo frequentemente louvado como um romance estético, Bonsái não funcionou para mim. A escrita, apesar de correta, não carrega densidade nem deixa marcas, e, ao final, restam apenas palavras muito bem organizadas, conscientes, mas vazias de sentido e de permanência. Se você for alguém que estuda alguma disciplina que se aprofunde em técnicas de escrita, ou atue em algum ramo literário, esse livro pode ser interessante. Ou se você for uma pessoa curiosa para se aventurar em estilos novos, modernos e ousados. Caso contrário, se cabe aqui um conselho, passe por ele como um caminho que já é feito por puro hábito, daqueles pelos quais se anda rápido e por onde o olhar pouco se detém.

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