A Hora dos Assassinos (Coleção L&PM Pocket #350) - (Um estudo sobre Rimbaud)

    Henry Miller

    L&PM Editores
    2004
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-10: 8525412856
    Português Brasileiro

    The Time of the Assassins '-' Poucos autores do século XX foram tão perseguidos, censurados, falados, célebres e controversos como Henry Miller (1891-1989). Acusado de "subersivo" e pornográfico, seus livros foram perseguidos no Brasizl durante a ditadura militar e proibidos em seu país, os EUA ( e muitos outros países), durante mais de trinta anos. Este A Hora dos Assassinos não é um estudo crítico sobre a obra do poeta francês "maldito" Arthur Rimbaud e sim um capítulo fascinante da própria biografia de H. Miller. "Em Rimbaud", escreveu ele, "me vejo como em um espelho". A descoberta da personlidade conturbada e multifacetada e o surpreendente uso da linguagem do poeta francês abriram a Miller novas perspectivas literárias e uma identificação; ali estava outro nômade, ao memo tempo participante e intruso no mundo, outro espírito rebelde, prisioneiro de um destino difícil de definir e superar.

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    A. Brito22/05/2021Resenhou um livro
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    Henry Miller- O tempo dos assassinos

    Este livro é sobre Rimbaud? Também é. É sobre os tempos do tempo, sobre diversas formas de viver, sobre as trágicas dimensões do humano, sobre sobrevivermo-nos, e claro, sobre Rimbaud. Uma sombria e trágica análise das várias vidas deste poeta precoce, cujas asas permaneceram, enquanto voava, pregadas a uma rocha. Sobre aquele que cantou o poder do homem e do mundo e acabou por se tornar uma pedra tumular vivente, homem de mil desertos, falou num momento para adoptar logo a seguir um silêncio violento, aterrador até. Miller olha Rimbaud pelos olhos de Rimbaud, a luta que este trava com o homem, com o infinito, com Deus. A forma como sentiu ao mesmo tempo o fogo do infinito e o líquido chamamento da terra e viveu, com um excesso digno de Prometeu, a impossível criação, como as palavras com as quais fez versos mostram. E depois perdeu, perdeu-se, ou deparou simplesmente com o muro da mediocridade e não estando disponível para se vender, optou pelo inferno, ele que havia intuído a possibilidade do Natal na Terra. Tudo isto nos diz Miller. Fala-nos sobre esse tempo que torna estéril a voz dos mais sábios dos sábios, que silencia todos os cantos e obriga aquele que canta à fuga de si mesmo, esse tempo de assassinos. Uma das grandes qualidades deste livro, e tem muitas, é pretender, mais do que dar respostas, aproximar Rimbaud do leitor, trazê-lo a nós. Neste livro nunca se fala de outra coisa que não da vida, da felicidade, da realização, do dia a dia, da forma como devíamos viver, mesmo quando é do material poético que se fala, e isto é assim porque para Miller, como para Rimbaud, a poesia é essencial à vida. Shopenauher defendia que o mais difícil é dizer com clareza aquilo o que é difícil, Miller faz isso, diz claro o que é complexo e difícil e escreve um livro enxuto, directo, rico, comunica saberes e continuamente faz-nos ir mais longe. Fico com a impressão que Miller escreveu este livro para clarificar para si próprio as ideias que tinha sobre Rimbaud e obrigar-se a aprofundar, a pensar mais sobre o seu ídolo, a compreendê-lo mais e melhor. E aqui temos outra qualidade deste livro: é escrito com a enorme seriedade da paixão, aqui, no centro da frieza gelada da razão palpita o fogo do conhecimento intuitivo. Miller aproxima-se desse génio precoce, bebe e come das suas palavras, enriquece-se com o mistério indecifrável das suas palavras, vê-o ser, percebe da sua sabedoria, do seu mecanismo de autenticidade interior, da sua tragédia e grandeza, sabe que conhecer Rimbaud é deixá-lo voar, é deixá-lo ir, só o pode conhecer quem vier para o perder, é isso que faz Miller, observa o poeta vivo a escrever palavras simbólicas, sólidas como pedras, a embaterem na calçada da própria vida, Miller é grande porque sabe ser pequeno. Tem a capacidade de saber que Rimbaud era um mistério, tanto para os outros como para si próprio. Não é só de Rimbaud que fala neste livro, Miller invoca e convoca outros que um dia clamaram no deserto: kierkegaard, Boehme, Lautréamont, Nietzsche, mundos e mais mundos que nos aproximam mais de um Rimbaud sempre incompleto. Neste livro, como em todos os livros vivos, tudo está em aberto, e é o leitor a chave que fechará dentro de si o puzzle Rimbaud, cada um terá a sua chave até porque cada um reterá destas montanhas de ideias, conhecimentos e percepções a parte que lhe interessa, a parte com que se debate o seu íntimo.  

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