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    O Tempo dos Assassinos: um estudo sobre Rimbaud - The Time of the Assassins

    Henry Miller

    Antígona
    2016
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9789726082835
    Português
    4.4
    5 avaliações
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    "Só a perfeição pode apagar a memória de uma ferida que corre mais fundo do que a torrente da vida". Em 1927, na cave de um sórdido prédio de Brooklyn, Henry Miller ouvia pela primeira vez o nome de Rimbaud. Anos depois, em Los Angeles, escrevia febrilmente versos do poeta nas paredes da casa que habitava, e, em 1945, surgiam as primeiras linhas d’ O Tempo dos Assassinos (1946), um dos mais apaixonantes estudos sobre o poète maudit . Em plena era atómica, no precipício da aniquilação, a identificação entre os dois gigantes da literatura subversiva foi fulminante, e Miller ouvira em Rimbaud o apelo de um profeta do colapso da civilização, de um pária como ele, revendo-se na revolta contra o mundo, nas adversidades e na itinerância do seu escritor predilecto. Fundindo biografia e reflexão, O Tempo dos Assassinos , a pretexto da vida de Rimbaud, explora a função social e os dilemas do artista de génio que se recusa a ceder a uma era em que a sociedade sufoca o vital instinto criador.

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    A. Brito22/05/2021Resenhou um livro
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    Henry Miller- O tempo dos assassinos

    Este livro é sobre Rimbaud? Também é. É sobre os tempos do tempo, sobre diversas formas de viver, sobre as trágicas dimensões do humano, sobre sobrevivermo-nos, e claro, sobre Rimbaud. Uma sombria e trágica análise das várias vidas deste poeta precoce, cujas asas permaneceram, enquanto voava, pregadas a uma rocha. Sobre aquele que cantou o poder do homem e do mundo e acabou por se tornar uma pedra tumular vivente, homem de mil desertos, falou num momento para adoptar logo a seguir um silêncio violento, aterrador até. Miller olha Rimbaud pelos olhos de Rimbaud, a luta que este trava com o homem, com o infinito, com Deus. A forma como sentiu ao mesmo tempo o fogo do infinito e o líquido chamamento da terra e viveu, com um excesso digno de Prometeu, a impossível criação, como as palavras com as quais fez versos mostram. E depois perdeu, perdeu-se, ou deparou simplesmente com o muro da mediocridade e não estando disponível para se vender, optou pelo inferno, ele que havia intuído a possibilidade do Natal na Terra. Tudo isto nos diz Miller. Fala-nos sobre esse tempo que torna estéril a voz dos mais sábios dos sábios, que silencia todos os cantos e obriga aquele que canta à fuga de si mesmo, esse tempo de assassinos. Uma das grandes qualidades deste livro, e tem muitas, é pretender, mais do que dar respostas, aproximar Rimbaud do leitor, trazê-lo a nós. Neste livro nunca se fala de outra coisa que não da vida, da felicidade, da realização, do dia a dia, da forma como devíamos viver, mesmo quando é do material poético que se fala, e isto é assim porque para Miller, como para Rimbaud, a poesia é essencial à vida. Shopenauher defendia que o mais difícil é dizer com clareza aquilo o que é difícil, Miller faz isso, diz claro o que é complexo e difícil e escreve um livro enxuto, directo, rico, comunica saberes e continuamente faz-nos ir mais longe. Fico com a impressão que Miller escreveu este livro para clarificar para si próprio as ideias que tinha sobre Rimbaud e obrigar-se a aprofundar, a pensar mais sobre o seu ídolo, a compreendê-lo mais e melhor. E aqui temos outra qualidade deste livro: é escrito com a enorme seriedade da paixão, aqui, no centro da frieza gelada da razão palpita o fogo do conhecimento intuitivo. Miller aproxima-se desse génio precoce, bebe e come das suas palavras, enriquece-se com o mistério indecifrável das suas palavras, vê-o ser, percebe da sua sabedoria, do seu mecanismo de autenticidade interior, da sua tragédia e grandeza, sabe que conhecer Rimbaud é deixá-lo voar, é deixá-lo ir, só o pode conhecer quem vier para o perder, é isso que faz Miller, observa o poeta vivo a escrever palavras simbólicas, sólidas como pedras, a embaterem na calçada da própria vida, Miller é grande porque sabe ser pequeno. Tem a capacidade de saber que Rimbaud era um mistério, tanto para os outros como para si próprio. Não é só de Rimbaud que fala neste livro, Miller invoca e convoca outros que um dia clamaram no deserto: kierkegaard, Boehme, Lautréamont, Nietzsche, mundos e mais mundos que nos aproximam mais de um Rimbaud sempre incompleto. Neste livro, como em todos os livros vivos, tudo está em aberto, e é o leitor a chave que fechará dentro de si o puzzle Rimbaud, cada um terá a sua chave até porque cada um reterá destas montanhas de ideias, conhecimentos e percepções a parte que lhe interessa, a parte com que se debate o seu íntimo.  

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    Henry Valentine Miller profile picture

    Henry Valentine Miller

    Henry Valentine Miller foi um novelista americano e pintor. Ele ficou conhecido por romper com as convenções literárias vigentes e por desenvolver um novo tipo de romance - mistura de romance, autobiografia, crítica social, reflexão filosófica, livre associação surrealista e misticismo -, distintamente a respeito e uma expressão do Henry Miller da vida real, mas também ficional.

    46 Livros
    196 Seguidores
    Nova Iorque, Estados Unidos

    Henry Valentine Miller