Judas Iscariotes -

    Leonid Andreiev

    Clube do Livro
    1984
    159 páginas
    5h 18m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Nos contos reunidos no volume, o autor faz uma profunda escavação filosófico-teológico-existencial e mergulha nessas contradições, para apresentá-las quase que psicanaliticamente, embora sem a pretensão de resolvê-las. Na pequena obra-prima que dá título ao livro, Andreiev propõe uma extraordinária interpretação do papel de Judas Iscariotes na paixão de Cristo: a traição que consuma, é por ele pressentida como um abismo a cuja atração, apesar dos esforços, Judas não consegue resistir. Não se trata de crime intencional, nem de culpa, mas desse desígnio obscuro que parece reger a vida de certos homens contra a vontade deles, contra a razão, contra a salvação. ... Nos cinco textos que completam a coletânea, Era uma vez, O nada, O grande slam, Valia e A máscara, Andreiev põe o leitor diante dos abismos da existência, abordando com lirismo e sutil ironia temas como a morte, o jogo, o sofrimento que põe fim à infância, a ambivalência da representação.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich27/11/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É até engraçado, mas o melhor desse livro está nas "Outras histórias". A história de Judas é correta, bem escrita e tudo mais, mas me pareceu até mesmo um tanto insossa, sobretudo diante de outras releituras de Judas que já li (a mais espetacular de todas foi feita pelo japonês Osamu Dazai no conto "A denúncia"). Sem falar que, ao contrário de tudo o mais que o Andreiev parece ter feito, mais endossa a doutrina oficial do que a questiona. Mas os contos que acompanham o livro sim, esses são quase todos muito bons. Vemos ali o Andreiev existencialista que eu já conhecia de outros contos (curiosamente, coisa que ele não é em “Judas Iscariotes”). O conto “O nada” é mais um que conta com a “participação especial” do diabo e, embora não tão brilhante quanto “A conversão do diabo” (que não faz parte dessa coletânea), é um conto forte que evidencia uma das principais angústias da alma humana. “Era uma vez” é um conto igualmente forte sobre certos personagens prestes a morrer em um hospital. "O grande slam” é mais famoso e, no meio da trama referente a uma partida de pôquer, se percebe sinais da mesma angústia existencial que justificou o conto “O nada”. Já “Valia” é um conto muito tocante sobre uma criança adotada que é levada de volta para casa pela mãe verdadeira. Só não gostei muito do último conto, “A máscara”. Em todo caso, já são oito os contos do Andreiev que li e, desses, três eu classifico como ótimos, quatro como bons e apenas um como ruim. É uma média superior à do Tchekhóv

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