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    O Crime do Restaurante Chinês -

    Boris Fausto

    Companhia das Letras
    2009
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-13: 9788535914337
    Português Brasileiro
    3.9
    302 avaliações
    Leram486Lendo34Querem467Relendo0Abandonos14Resenhas31
    Favoritos17Desejados467Avaliaram302

    Em O crime do restaurante chinês, o historiador Boris Fausto recorre aos arquivos da história e da memória pessoal para narrar e analisar um dos acontecimentos policiais que mais mobilizaram a opinião pública paulistana. Ele era um menino quando, logo depois de um animado carnaval de rua, a cidade não falava de outra coisa: um homem negro era acusado de matar o ex-patrão e mais três pessoas com terríveis golpes de pilão. O historiador narra o processo das investigações com a maestria de um romancista. O enredo lhe serve de mote para discutir vários temas cruciais para a historiografia do período. Um deles é a relação entre migrantes, imigrantes e trabalhadores marginalizados numa São Paulo cada vez mais populosa. Outro é a aplicação judicial e policial de doutrinas racistas, que então recebiam o endosso de cientistas de prestígio, e ajudaram a incriminar Arias de Oliveira, jovem negro do interior, ex-empregado do restaurante. Fausto comenta também o declínio do carnaval de rua paulistano, e, depois, a comoção futebolística que tomou conta da cidade com a participação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1938. As fontes dessa reconstrução do passado são basicamente a memória do autor e os vários jornais e órgãos de imprensa que mobilizavam a opinião pública, muitas vezes com sensacionalismo. A análise de Fausto ajuda o leitor a perceber o "fio da sensibilidade" que ligava o carnaval, os assassinatos hediondos e a Copa do Mundo. Por meio dele, seria possível até que a figura antes temida de Arias terminasse associada à do adorado Leônidas, outro brasileiro negro, goleador da seleção nacional nos campos da França.

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    Resenhas (31)Ver mais
    Angélica Correia picture
    Angélica Correia03/07/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    3,5

    O livro “O crime do restaurante chinês” de Boris Fausto faz uma análise social e traz o contexto histórico da época em que aconteceu o crime na cidade de São Paulo, nos anos 30. Além do contexto histórico, lemos e nos inteiramos bem de perto do julgamento que cercou a acusação de Arias de Oliveira. Arias, um homem negro, humilde, aparece como bode expiatório de um crime cruel e que foi intensamente acompanhado pelo povo paulistano. O autor traz perfeitamente o contexto da época, nos sentimos na São Paulo dos anos 30, traz com detalhes o funcionamento do carnaval e da Copa do Mundo de 1938 com o ídolo de então, Leônidas da Silva. Um detalhe interessante: o jogador conhecido como Diamante Negro era um ídolo da época. Arias de Oliveira tinha semelhanças físicas com o jogador e, em certo momento do livro, se entende que a opinião pública percebe essa semelhança e, talvez inconscientemente, isso ajuda Arias no seu caminho até a absolvição. O livro é primoroso no acesso à documentos e fotos originais, e ao mostrar o surgimento das análises psicológicas nos julgamentos de crimes. Muito bom.

    11 curtidas

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    Boris Fausto

    Boris Fausto é um historiador e cientista político brasileiro. Sua principal obra é A Revolução de 30 - historiografia e história publicada pela primeira vez em 1970 e considerada ainda hoje um clássico das ciências sociais brasileiras, na qual, apesar de ser paulista, Boris Fausto contesta as versões que defendem São Paulo durante a Revolução de 1930 e na Revolução Constitucionalista de 1932. Escreveu também Trabalho Urbano e Conflito Social e Crime e Cotidiano.

    38 Livros
    94 Seguidores
    SP, Brasil

    Boris Fausto