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    O Intruso -

    William Faulkner

    Círculo do Livro
    1997
    242 páginas
    8h 4m
    ISBN-10: 8533209061
    Português Brasileiro
    3.7
    135 avaliações
    Leram208Lendo15Querem505Relendo0Abandonos14Resenhas14
    Favoritos3Desejados505Avaliaram135

    Na década de 1940, quando o Sul dos Estados Unidos pegava fogo por conta dos conflitos raciais, Lucas Beauchamp, um fazendeiro "negro que tratava as mulheres de madame", é encontrado inconsciente, com uma arma recém-disparada na mão e um cadáver sob o corpo. Acusado de assassinar um homem branco, ele jura ser inocente. A população, no entanto, quer linchá-lo, sem julgamento. Por mais que a cadeia que o prende - e também o protege - seja reforçada, a fúria irracional dos racistas não tem limites. Um crime tão hediondo precisa ser vingado com sangue.

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    Resenhas (14)Ver mais
    Rodrigo Pamplona picture
    Rodrigo Pamplona30/10/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Que cor tem a pele da justiça? (Sem Spoilers)

    Segundo livro de William Faulkner que leio este ano, ?O Intruso? coloca em foco os conflitos raciais nos EUA durante a década de 40. No livro, um fazendeiro negro chamado Lucas Beauchamp é acusado de assassinar um homem branco, embora jure ser inocente. Ensandecida, a população local quer linchá-lo e queimá-lo vivo em praça pública, sem julgamento. Por mais que a cadeia que o prende ? e também o protege ? seja reforçada, a fúria irracional da população se mostra implacável. Essa é a espinha dorsal do livro. A partir deste ponto, Faulkner desenvolve a história com ar de suspense, com uma narrativa de cunho policial e sociológico, flertando com o ?detetivesco?, ao mesmo tempo em que aborda a questão dos negros da América. Senão o livro mais difícil que li este ano, ?O Intruso? se mostrou desafiador desde o início. Normalmente, eu levaria 1 ou 2 dias para ler um livro de 300 páginas. Este me tomou quase 10 dias. Frequentemente me peguei lendo um mesmo parágrafo múltiplas vezes, e, não raro, me senti como se não conseguisse entender completamente o que estava escrito se não o relesse novamente. O texto, por vezes, me pareceu verborrágico e distante. Regras de pontuação, tal como as conhecemos, são quase inexistentes: há ausência de vírgulas, ausência de paragrafação. Um estilo controverso que também apareceu no primeiro livro que li de Faulkner, mas de maneira mais sutil. Por essa característica, o início aborrece o leitor, porém, a medida que o enredo evolui, o suspense inflama a curiosidade e ficamos sedentos pelo desfecho. A trama é excelente, como já era de se esperar, e o desenvolvimento é muito bem feito. A construção dos personagens beira a perfeição: Lucas Beauchamp é construído de forma impecável, um negro que não apresenta o comportamento subserviente esperado pelos brancos. Não há rebeldia nem anarquismo no seu comportamento: há altivez, como se Lucas fosse um negro muito à frente de seu tempo. Nesse sentido, o livro medita sobre a conclusão sóbria de que existem aqueles que, mesmo presos, estão livres dentro de suas mentes e aqueles que, mesmo livres, se deixam contaminar por conceitos que os aprisionam em si mesmos. Um livro relevante em tempos de julgamentos sumários, condenações baseadas em achismos e falta de compaixão com o próximo. Para encerrar, caso você escolha se aventurar por ?O Intruso?, aconselho que já espere, de antemão, dificuldade infernal de leitura. Prepare seu mais alto nível de concentração, dedique tempo e mergulhe de cabeça. Uma das coisas que mais gosto nos livros do Faulkner é a sua grandeza estética e a riqueza com que escreve. Por mais difícil que seja, vale muito a pena.

    8 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 135
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas2%
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    William Faulkner

    Sem diploma do secundário (ensino médio), o prêmio Nobel de Literatura em 1949, e prêmio Pullitzer em 1955 e 1963 (póstumo), William Falkner viveu em sua pequena cidade no Estado mais pobre dos Estados Unidos, o Mississipi. Só viajava para Hollywood para arranjar trabalho como roteirista. Indo e vindo, entre 1932 e 1955, trabalhou para os estúdios Metro, Fox e Warner. Como escreveu o crítico brasileiro Sérgio Augusto: "Só aderiu ao cinema porque precisava de dinheiro. Tinha 35 anos e acabara de escrever 'Luz em Agosto'. A venda de seus livros mal dava para pagar a conta da luz. Seus primeiros quatro livros não venderam mais de 2 mil exemplares cada. Seu primeiro (e único) best seller, 'The Wild Palms', é de 1939". Por volta de 1958, a Fox tentou trazê-lo de volta. Na época, Faulkner, que já não estava mais tão necessitado de dinheiro, recusou o convite. Após publicar "O Fauno de Mármore" (1924, poemas), Faulkner foi a Nova Orleans para conhecer o círculo literário em torno da revista literária "The Double Dealer", que publicava Hart Crane, Ernest Hemingway, Robert Penn Warren e Edmund Wilson. Além dos contos para a revista, Faulkner fez seu primeiro romance "Paga de Soldado". Tímido, ele preferia a companhia de seus amigos caçadores e dos vizinhos de seu sítio a outros escritores e intelectuais. Seus primeiros livros traziam características da literatura do fim do século 19. "O Povoado", o primeiro romance da "Trilogia Snopes", é um retrato irônico das grandes depressões que antecederam a Guerra Civil norte-americana. Em "Os Invictos", publicado no ano de sua morte, o escritor constrói um conflito de éticas e mentalidades entre o velho Sul e a nova realidade americana após a Guerra Civil. Faulkner entrou numa nova fase, quando encontrou seu estilo nas obras "O Som e a Fúria", "Enquanto agonizo", "Santuário", "Luz de agosto", "Dr. Martino e Outros Contos", "Pilão", "Absalão! Absalão!" e "Palmeiras Selvagens". A violência destes livros está em primeiro plano e, às vezes, os personagens têm uma meia vitória aqui e ali. Em "Enquanto agonizo", Faulkner costura dezenas de monólogos de 15 pessoas para mostrar o perfil psicológico de uma família que conduz o corpo da matriarca ao cemitério. A partir de "O lugarejo", o destino dos personagens de Faulkner não é mais tão trágico. Ao menos surge alguma esperança para a condição humana como uma promessa de liberação. Em "Desça Moisés", sobre a luta do personagem Ike McCaslin contra a devastação da mata, Faulkner denuncia injustiças. Além de viagens necessárias à sua carreira, Faulkner continuou enfurnado no Mississipi até se tornar escritor residente da Universidade de Virgínia. O contato com os estudantes está registrado no livro "Faulkner na Universidade".

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    William Faulkner