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    Não conte para a mamãe - Memórias de uma infância perdida

    Toni Maguire

    Bertrand Brasil
    2012
    308 páginas
    10h 16m
    ISBN-13: 9788528615722
    Português Brasileiro
    4.3
    2579 avaliações
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    Memórias de uma infância marcada por abuso e silêncio. A frase que dá título ao livro de Toni Maguire, Não conte para a mamãe, poderia ser um pacto ingênuo entre dois irmãos ou uma brincadeira entre crianças. Infelizmente, não é o caso. Na verdade, é a ameaça sofrida pela autora durante os quase dez anos em que foi violentada pelo próprio pai. O livro, passado nos anos 50, é o relato sincero e estarrecedor de uma menina que além do assédio, sofreu com a omissão materna. A mãe, por mais que Toni fosse pequena para perceber, sempre deu sinais de plena consciência da realidade. Talvez o medo de perder o charmoso marido tenha resultado nesta atitude. Por exemplo: ela sempre arrumava a filha para que fosse a mais bonita de todas. Após o início do assédio, começou a se irritar sempre que a menina colocava uma roupa limpa ou simplesmente penteasse o cabelo. Ou quando tirou qualquer tipo de luz do quarto de Toni dizendo que ela deveria dormir cedo e não ficar lendo - sua grande paixão. Para piorar, devido ao enorme número de mudanças de cidade que a família realizou, Toni nunca teve uma amiga de verdade. Seus parceiros mais próximos foram duas cachorrinhas. Não conte para a mamãe é o relato assustador e, ao mesmo tempo, tocante da pequena Toni Maguire, negligenciada e traída por aqueles em quem mais deveria poder confiar. Um livro de difícil leitura, mas fundamental nos dias de hoje. Violentada constantemente pelo pai, chegando a engravidar, Toni resvalou a completa destruição. Sua recuperação e seu reconhecimento como escritora servem de exemplo para crianças e jovens vítimas, todos os dias, de abusos sexuais, mostrando-lhes que é preciso lutar contra essa condição e que é possível vencer a luta.

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    Natália Alexandre picture
    Natália Alexandre13/07/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    www.meninadabahia.com.br

    - Srª Trivett, de que as meninas são feitas? - Ora, Antoinette, quantas vezes vou ter que repetir? De açúcar e canela, é claro, e de todas as coisas boas! Pág. 22 Em 2008, o mundo foi sacudido por uma violenta notícia: Elisabeth Fritzl foi sequestrada e mantida presa, pelo próprio pai, por 24 anos. Com ele, teve sete filhos. Ela era estuprada constantemente, no porão de casa, e sua mãe alegou nunca ter desconfiado de nada. Apenas achou que ela tinha fugido de casa e nunca quisera entrar em contato. Toni Maguire viveu algo parecido. Foi estuprada, seviciada pelo pai, dos seis aos quatorze anos. A diferença é que ela tinha certa liberdade, mas estava presa num silêncio aterrorizador. Uma vez tentara contar à mãe, que lhe disse para nunca mais repetir um absurdo daqueles. E diante das ameaças do pai, de que ninguém nunca acreditaria nela e de que no fim ela seria a culpada de tudo, Toni se deixou acreditar naquelas palavras. Ela foi coagida e teve um dos direitos mais antigos do homem (Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante) violentamente negado. Os anos iam se passando, à medida que ficava mais velha e o corpo de menina se transformava no de mulher, a excitação de seu pai aumentava e ele passou a ser cada vez mais cruel. Quando ela aprendeu a dizer não, o castigo piorou. Com medo das surras, ela se deixava submeter, sem gritar, sem chorar... sem deixar ele perceber como lhe afetava. Ela ficava parada, quase alheia a tudo, como um robô. Até o dia em que engravidou e precisou berrar tudo que passou. É preciso coragem e certa dose de frieza para poder relatar os abusos sofridos. Por relatar anos e anos de abuso. Não Conte Para a Mamãe, de Toni Maguire (Bertrand Brasil, 308 páginas, R$ 34,00) - não ficção -, é um relato chocante de uma criança que convivia com o inimigo dentro de casa e que quando ousou soltar a voz, foi rechaçada por todos, família, amigos, estranhos. Enquanto todas as meninas eram feitas de doces e coisas boas, ela era feita de coisa estragada. Ela tinha certeza! Mas, quando seu pequeno mundo desabou, ela precisou crescer e se tornar forte. Esquecer todos e se concentrar em si. Depois do que pareceu uma eternidade, ele soltou um gemido e saiu de mim. Senti uma substância quente, molhada e grudenta gotejar sobre minha barriga. Ele jogou um pedaço de saco em mim. - Se limpe com isso. Sem dizer nada, fiz o que ele mandou. As palavras que se seguiram estavam destinadas a se tornarem o refrão dele: - Não vá contar para a mamãe, minha menina. Isso é nosso segredo. Se contar, ela não vai acreditar em você. Ela não vai mais amar você. Eu já sabia que isso era verdade. Pág. 75 A narrativa é feita em dois tempos, Toni já adulta, numa época recente, recordando o passado nos tempos bons e Toni criança, obrigando a adulta a relembrar a parte ruim. Ela trava uma batalha com ela mesma e, aqui, percebemos o recurso do fluxo da consciência. A história me fez lembrar outras, como Vida Roubada, mas na verdade, a história de Toni é pior, pelo fato do abuso vir de quem deveria protegê-la. A narrativa é fluida, dá para ler num só fôlego, se não se envolver; mas, se você se envolver como eu -, à medida que for avançando, na leitura, vai sentir repugnância e revolta com o fato de ninguém perceber o que se passa naquela casa. Vai sentir o desespero mudo de Toni, sua impotência e repulsa. Ela está revivenciando a infância, para poder finalmente enterrar o passado. A leitura é perturbadora, mas Toni tenta enxergar o lado bom, os primeiros anos quando a mãe era amorosa com ela, e se obriga a não odiá-la, porque apesar da omissão, era a única pessoa que sempre esteve por perto. Era sua mãe, por bem ou mal. Recomendo.

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    Toni Maguire

    Toni Maguire morou em Londres durante vinte anos e hoje vive em Norfolk. Em seus livros, Maguire dá voz a essa negligenciada, desprotegida e, infelizmente, numerosa parcela da população jovem de nosso tempo. Autora também de When Daddy Comes Home, Can’t Anyone Help Me e Don’t You Love Your Daddy?

    2 Livros
    1 Seguidor

    Toni Maguire