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    O Que o Dinheiro não Compra - Os limites morais do mercado

    Michael Sandel

    Civilização Brasileira
    2012
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788520011485
    Português Brasileiro
    4
    638 avaliações
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    Vivemos numa época em que quase tudo pode ser comprado e vendido. Tudo é uma questão de quanto se quer pagar para obter determinada coisa. Por exemplo: Direito de ser imigrante nos Estados Unidos: US$ 500.000; Alugar espaço na testa (ou em outra parte do corpo) para publicidade comercial: US$ 777; Servir de cobaia humana em testes de laboratórios farmacêuticos para novas medicações: US$ 7.500; Direito de abater um rinoceronte negro ameaçado de extinção: US$ 150.000; O celular do seu médico: US$ 1.500 ou mais por ano; Direito de lançar uma tonelada métrica de gás carbônico na atmosfera: € 13 (aproximadamente US$ 18); Por que ficar preocupado com o fato de estarmos caminhando para uma sociedade em que tudo está à venda? Por dois motivos: um tem a ver com desigualdade; o outro, com corrupção. Algumas das boas coisas da vida são corrompidas ou degradadas quando transformadas em mercadoria. Desse modo, para decidir em que circunstâncias o mercado faz sentido e quais aquelas em que deveria ser mantido a distância, temos de decidir que valor atribuir aos bens em questão – saúde, educação, vida familiar, natureza, arte, deveres cívicos e assim por diante. São questões de ordem moral e política, e não apenas econômicas. Para resolvê-las, precisamos debater, caso a caso, o significado moral desses bens e sua correta valorização. O grande debate que está faltando na política contemporânea diz respeito ao papel e ao alcance dos mercados. Queremos uma economia de mercado ou uma sociedade de mercado? Que papel os mercados devem desempenhar na vida pública e nas relações pessoais? Como decidir que bens podem ser postos à venda e quais deles devem ser governados por outros valores que não os de mercado? Onde não pode prevalecer a lei do dinheiro? São as questões de que este livro procurará tratar. Como elas envolvem visões polêmicas da sociedade ideal e da vida ideal, não posso prometer respostas definitivas. Mas pelo menos espero provocar um debate público a respeito e estabelecer um contexto filosófico para sua análise.

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    Robson Miranda 13/04/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O mal do : - Tô pagando!

    Livro que cita vários exemplos de coisas absurdas que o dinheiro é capaz de comprar: que vão desde espaço publicitário na testa de pessoas até a lugares melhores numa missa papal, passando por problemas maiores como a deficiência nos planos de saúde dos americanos, ou ainda carta branca para emitir maiores quantidades de gás carbônico na atmosfera. Mais importante do que os exemplos daquilo que é comprável, o autor também cita coisas que não deveriam ser comercializadas, e se aprofunda nos motivos para que isso não deveria acontecer. Segundo ele, há dois argumentos principais pelos quais deveríamos afirmar que o dinheiro não pode comprar tudo: primeiro nem todas as pessoas estão em situação de igualdade para comercializar em tudo, o que leva a transações injustas. Segundo, ao tentar comprar e vender tudo, estamos fazendo valores importantes ao convívio social, serem corrompidos. Valores como solidariedade, dever cívico, respeito e dignidade. Uma vez que estes valores se desgastam a sociedade do futuro será menos democrática e justa que aquela que vivenciamos no passado. Escrito em 2012, acho que já dá para acrescentar um capítulo extra aqui: como a internet e as redes sociais facilitaram a mercantilização online. Na verdade, o capítulo casaria muito bem com a quinta parte. Enfim recomendo muito a leitura pois faz pensar em muitas coisas quase óbvias - mas as vezes não , do nosso dia a dia.

    40 curtidas

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    Michael J. Sandel profile picture

    Michael J. Sandel

    Michael J. Sandel (Minneapolis, 5 de março de 1953) é um filósofo, escritor, professor universitário, ensaísta, conferencista e palestrante estadunidense,[1] que ficou reconhecido internacionalmente pelo seus livros Justiça - O que é fazer a coisa certa? (2010) e Liberalismo e os limites da Justiça (1982). Michael Sandel é responsável pelo curso de Justiça e desde 1980 é professor de filosofia política da Universidade Harvard, fazendo palestras e aulas no mundo todo, sempre questionando os princípios contemporâneos de justiça com frases e aforismos instigantes e reflexivos.[2] Suas principais influências filosóficas são John Locke, Immanuel Kant, John Stuart Mill, John Rawls, Robert Nozick, Charles Taylor e Michael Walzer. De origem judaica, foi morar em Los Angeles com 13 anos de idade, sendo presidente da classe "senior" da Palisades High School em 1971, graduado na Universidade de Brandel, obtendo bacharelado em Política (1975), concluiu o doutorado no Balleol College em Oxford, Reino Unido. No Grupo Escolar Rhodes começa a estudar a obra do filósofo canadense Charles Taylor. Em 2014, esteve em Porto Alegre, no circuito de palestras do Fronteiras do Pensamento[3]

    7 Livros
    82 Seguidores
    Minnesota, Estados Unidos

    Michael J. Sandel