A Canção de Rolando - Le Chanson de Roland

    Anônimo

    Francisco Alves, (RJ)
    1988
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Obra de autor anônimo. Após assembléia dos sarracenos em Saragoça, o rei Marsílio decide mandar uma embaixada ao rei Carlos Magno, da França, que está ocupando, com seu exército, território espanhol. Os enviados do rei Marsílio levam valiosos presentes ao rei francês, além da promessa de conversão ao cristianismo. Rolando, desconfiando da sinceridade dos pagãos, sugere a Carlos Magno que não dê ouvidos à proposta de paz. Entretanto, é vencido pela maioria e, principalmente, por Ganelão, seu padrasto. Após reunirem-se, Carlos e seus companheiros decidem, por sugestão do padrasto de Rolando, mandar um mensageiro avisar ao rei Marsílio que sua proposta foi aceita. Rolando diz ao rei que a melhor pessoa para desempenhar essa tarefa é Ganelão, que fica enraivecido e jura vingar-se do enteado. Para isso, Ganelão alia-se ao pagãos e planeja uma emboscada para Rolando, sugerindo que o rei volte à França e que Rolando e alguns homens fiquem na retaguarda. Assim, quando Carlos Magno já está bastante adiantado, os pagãos atacam Rolando e seus companheiros em uma batalha sangrenta. Rolando luta como um herói, mas acaba ferido de morte. Ao sentir que não resistirá, ele toca a trompa, chamando pelo rei. Ao ouvir o toque fraco, Carlos percebe que o sobrinho está morrendo e volta para socorrê-lo. Ao chegar encontra-o morto e decide vingar-se. Segue-se, então mais uma batalha sangrenta. Concluída a vingança, acontece o julgamento do traidor. Há um duelo que decide se Ganelão deve ou não ser punido. Ao final, Ganelão é castigado com uma morte bárbara.

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    Hanno Vik16/06/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma épica de titãs medievais nas Termópilas pirenaicas

    Homérico é a palavra que define esse cantar de gesta, meu primeiro contanto com a matéria carolíngia não poderia ter sido mais grandioso. Tudo na história do poema possui uma escala monumental, a violência exagerada dos golpes de espada que partem homens e suas montarias ao meio, o contingente de 40 nações sob comando do Emir Balalão e a resistência heroica dos poucos francos contra os muitos sarracenos, reencenando aqui a defesa do mundo grego, e por extensão latino e ocidental, contra o invasor persa oriental. A tradução é o ponto alto dessa edição, a musicalidade, advinda do caráter oral da obra, flui de forma agradável, e as escolhas de adaptação de vários nomes de lugares e personagens para uma versão mais próxima de um português oral e genuíno criam uma imersão deliciosa no mundo da obra. (Aachen vira Aquisgrão, Roland vira Roldão, Durendal vira Durindana). E por falar na famosa espada do personagem que dá nome à obra, Durindana é a contraparte franca da galesa Caledfwlch, e tão lendária quanto. A espada imbuída em seu pomo de relíquias santas é uma dádiva divina entregue a Conde Roldão e protagonista junto a ele dum último esforço final para destruí-la a fim de que não cai em mãos inimigas, as pancadas frustradas do herói na rocha para estilhaçar sua lâmina proporcionam um espetáculo histórico aos que visitarem essa famosa rocha na atual Espanha. Além da rocha fendida pelos golpes o famoso olifante que Roldão sopra num último esforço furioso onde suas têmporas estouram ensanguentadas para chamar seu tio se encontra também guardado como relíquia numa catedral no famoso caminho de Santiago de Compostela. É justa a menção, quase óbvia, do teor religioso presente no poema, a guerra santa entre a trindade ficcional dos sarracenos ( Apolo, Tevargão e Maomé) e o Deus verdadeiro cristão se desenrola nos combates hipérbolicos onde personagens como o bispo Turpino derrotam facilmente 400 homens (com 4 lanças cravadas mortalmente em seu corpo), representando assim a força sobre-humana que deriva da vida moral e espiritual elevada. Foi uma leitura extremamente prazerosa, o grande épico franco não deve em nada às grandes obras dos poetas clássicos. Se Diomedes fere Marte e Afrodite, Carlos Magno pede ao próprio Deus que firme o sol nos céus para que a noite não chegue e suas hostes possam massacrar o exército de Marsílio que se afoga nas águas do Ebro (será também uma referência ao Xanto? O eco com Josué é explicitado em nota própria no texto) * Existe nessa edição um maravilhoso ensaio sobre a matéria carolíngia no Brasil, o lendário rei franco e seus doze pares surpreendentemente figuram em várias tradições folclóricas brasileiras, no caso da literatura de cordel nordestina e nas cavalhadas que encenam os combates épicos. Fiquei abismado também com a influência mitológica da história de Carlos na revolta do contestado e seu caráter messiânico.

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