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    O Filho do Desconhecido -

    Alan Hollinghurst

    Dom Quixote
    2011
    688 páginas
    22h 56m
    ISBN-13: 9789892316352
    Português
    4.8
    5 avaliações
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    Favoritos4Desejados38Avaliaram5

    No final do Verão de 1913, nas vésperas da Grande Guerra, o jovem poeta aristocrata Cecil Valance passa um fim-de-semana em "Dois Acres", a casa da família do seu amigo e colega de Cambridge, George Sawle. São dias intensos para todos, mas é em Daphne, irmã de George, que o seu impacto será mais duradouro, pois Cecil escreve-lhe um poema que virá a tornar-se num marco para toda uma geração. As intimidades partilhadas nesse fim de semana vão transcender os limites do tempo e dar origem a um mito - e a um segredo de família - que atravessa o século XX.

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    Daniel Boratto21/09/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Notas secretas de desculpa e promessa"

    Neste ambicioso romance, o autor atravessa o século XX enfocando períodos distintos, marcados por mudanças profundas na sociedade inglesa. O título do livro foi retirado de um verso do longo poema 'In Memoriam A. H. H.', um réquiem escrito por Lord Alfred Tennyson ao longo de 17 anos dedicado ao seu estimado amigo Arthur Henry Hallam, que morreu repentinamente de hemorragia cerebral em 1833. Publicado em 1850, é considerado um reflexo da sociedade vitoriana da época, e discute temas que começavam então a ser questionados. 'And year by year the landscape grow / Familiar to the stranger's child.' ('E ano após ano a paisagem cresce / Familiar para o filho do desconhecido.') O livro, volumoso, é narrado em terceira pessoa e dividido em 5 partes: A primeira parte, chamada "Dois Acres" se passa em 1913, pouco antes da Primeira Guerra Mundial, num final de semana na residência de uma aristocrática família inglesa, os Sawle, que vai receber como hóspede o jovem poeta Cecil Valance, amigo íntimo de um dos filhos que estuda em Cambridge. Cecil vai marcar para sempre aqueles que o conheceram, principalmente os irmãos George e Daphne Sawle. A segunda parte, "Revel", se passa num final de semana em 1926: Daphne já está casada com Dubley Valence, irmão de Cecil, mora em Corley Court, a casa da familia Valance que foi transformada num santuário em memória de Cecil. Daphne tem dois filhos, Corina e Wilfrid. Ela irá se envolver com o pintor Revel Ralph. George, o irmão de Daphne que foi amante de Cecil na primeira parte, agora está casado com Madeleine. A terceira parte, "Força, rapazes, força" o salto no tempo é maior: transcorre em 1967, em plena swinging London, quando a homossexualidade deixou de ser crime. Daphne está completando 70 anos e agora é conhecida como Mrs. Jacobs. Corina, filha de Daphne, casou-se com Leslie Keeping. Os protagonistas desta parte passam a ser Paul Bryant, um jovem de 23 anos que trabalha num banco, que vai se apaixonar por um professor chamado Peter Rowe, que leciona numa escola onde antes era a residência dos Valance, Corley Court. A quarta parte, “Qualquer Coisa de Poeta” se passa em 1979. Paul Bryant, aos 35 anos, resolve escrever uma biografia sobre Cecil Valance. Ele visita o que sobrou de Dois Acres e ao longo do capítulo reencontra os personagens sobreviventes da primeira parte para entrevistas, quase sempre frustrantes: Mrs. Jacobs (Daphne Sawle); o irmão de Cecil, Dubley Valance; um empregado que serviu Cecil, Jonah; e George Sawle. A parte final, "Os Velhos Companheiros" se passa em 2008. A ação se passa num encontro em memória de Peter Rowe, que faleceu recentemente. O antiquário Rob Salter é o protagonista dessa parte, e de certa forma, assume a trilha que Paul Bryant fez ao longo do livro, que é elucidar o passado. Nesta parte reaparecem personagens de outras partes, como neta de Daphne, Jennifer Ralph, descendente de seu casamento com Revel Ralph ou do artista Mark Gibbons, um fato nunca esclarecido. Rob encontra as cartas lá da primeira parte, trocadas por Hubert Sawle e Harry Hewitt, e entre este a Cecil, sugerindo que estes também foram amantes. Mas ao buscar novas evidências, Rob encontra, literalmente, apenas as cinzas do passado... O leitor, onipresente, vai vivenciar cenas que os personagens da trama desconhecem ou preferem não tomar conhecimento. E é engraçado observar como fatos que o leitor sabe que não são verdadeiros acabam se tornando “a versão oficial”, ou seja, a versão que fica para a História na biografia dos personagens. O recurso utilizado pelo autor de enfocar um determinado período de tempo em cada uma das partes do livro (quase sempre um final de semana) acaba deixando várias lacunas, que serão reveladas - ou não - nas partes seguintes. Os nomes citados aqui e ali merecem um pouco de atenção. O leitor menos atendo poderá demorar a perceber que Daphne Sawle e Mrs. Jacobs são a mesma personagem. E personagens que aparecem ou são citados ao acaso no primeiro capítulo, como Harry Hewitt ou o joven Jonah, ressurgirão de alguma forma lá no final do livro. Algumas resenhas apontaram semelhanças entre o personagem Cecil Valance e o poeta inglês Ruper Brooke, que faleceu na Primeira Guerra Mundial. Nas palavras de Yeats, ele teria sido “o jovem mais bonito da Inglaterra”, e um de seus versos foi utilizado por F. Scott Fitzgerald para intitular seu primeiro romance, “Este Lado do Paraíso”. No pós guerra, Brooke virou uma espécie de mártir e herói, graças a uma biografia encomendada pela mãe dele, e só muitos anos mais tarde vieram a público cartas que revelariam sua homossexualidade. Alan Hollinghurst brinca com este tipo de confusão, com as diferentes versões de uma mesma situação... Trecho: "O cheiro dos livros era uma droga, uma promessa de prazer perpassada por uma espécie de pesar adivinhado. Em sonhos, ele trepava ou pairava até o alto de estantes como aquela, onde exemplares vagamente importantes de edições que não existiam se escondiam entre si em tímidas cores esbatidas, velhos verdes e ocres e amarelos desbotados." (pág. 664) Alguns leitores poderão achar a ação - ou a falta dela - bem arrastada... Eu gostei de cada página.

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    4.8 / 5
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    Alan Hollinghurst

    Nascido em 1954 em Stroud, na Inglaterra, Alan Hollinghurst atingiu a maturidade intelectual em plena transição dos anos 60, repletos de idealismo, para os anos 80, a era do hedonismo. Iniciado na literatura em 1988, ele estudou língua inglesa em Oxford, onde ganhou um prêmio de poesia. Em 2004, ganhou o prestigiado Prêmio Man Booker por seu quarto romance A Linha da Beleza.

    9 Livros
    13 Seguidores
    Gloucestershire, Inglaterra

    Alan Hollinghurst