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    125 contos - Escolhidos por Noemi Moritz Kon

    Guy de Maupassant

    Companhia das Letras
    2009
    824 páginas
    1d 3h 28m
    ISBN-13: 9788535914467
    Português Brasileiro
    4.5
    104 avaliações
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    Maupassant provocou um curto-circuito na máquina da razão ao apontar, no fim do século XIX, para o nascimento do homem psicanalítico conduzido pelo inconsciente freudiano. Guy de Maupassant teve sua mestria reconhecida tardiamente. Somente hoje, mais de um século depois da década de 1880, justamente os dez anos exuberantes nos quais ele construiu praticamente toda a sua obra (mais de trezentos contos e seis romances, além de peças de teatro, poesias, crônicas, críticas artísticas e correspondências com vários interlocutores), somos capazes de avaliar com maior justeza o alcance e a importância de seu legado. Discípulo dileto de Gustave Flaubert, Maupassant foi um dos maiores expoentes da assim denominada literatura fantástica. Foi ele quem criou, com sua prosa rápida e afiada, as mais perfeitas descrições da vida da aristocracia, da baixa burguesia e do proletariado parisienses - ou seja, dos habitantes do centro do mundo ocidental de então. Por outro lado, seu testemunho sobre a existência ladina dos camponeses da Normandia - sua terra natal - e sobre a violência sofrida pelos soldados enviados às frentes de batalha é incomparável. Maupassant expôs com argúcia e sem recorrer ao sentimentalismo a hipocrisia, a brutalidade e a insensatez daquele mundo, um mundo que passaria a ser o nosso - já que foi no fin de siècle francês que se gestou o homem da modernidade em quem nos reconhecemos hoje: aquele que perdeu sua crença na gloriosa força da consciência e foi obrigado a admitir em si mesmo a presença de potências vindas da desrazão, num prenúncio incontestável da criação do conceito de inconsciente, por Sigmund Freud, e do surgimento do homem psicanalítico, nos anos que se seguiriam.

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    Anica Bitten10/01/2011Resenhou um livro
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    125 Contos de Guy de Maupassant

    Na apresentação dessa coletânea de contos de Guy de Maupassant publicada pela Companhia das Letras, Noemi Mortiz Kon conta que a educação literária do escritor ficou por conta de ninguém mais, ninguém menos do que Gustave Flaubert. A condição para ser aceito como pupilo é que escrevesse sem parar e que não publicasse seus primeiros textos. O resultado desse “treinamento” de Flaubert fica óbvio ao constatarmos o tamanho do livro (mais de 800 páginas) e a qualidade dos contos nele presentes. E se pensar que foram escolhidos (ou seja, outros ficaram de fora), temos aí um autor que realmente levou a sério a tarefa de escrever ininterruptamente. Os 125 contos presentes na coletânea mostram o que há de melhor na prosa de Guy. Os grandes contos, mais conhecidos do público, como Bola de Sebo e O Horla estão lá, assim como obras geniais do horror, o caso do conto A Morta e Sobre a água. Retratos ácidos da sociedade em que vivia também ganham destaque, sempre com uma conclusão irônica a respeito do que foi contado. A estrutura das histórias normalmente se repete, sendo que os contos normalmente começam com alguém que relatará algum evento que tenha algo a ver com o que está sendo conversado no início. Apesar da estrutura e dos temas se repetirem, o interessante é que Maupassant consegue tornar cada conto único, e muito bom. A leitura é feita com prazer, prende a atenção e chega a ser quase viciante: mal termina um conto, o leitor já deseja continuar seguindo em frente para o próximo. A questão do retrato da sociedade também é bem interessante. Para pessoas que tem interesse no século XIX, mais precisamente na França do século XIX, Guy de Maupassant é simplesmente fundamental. O grande mural de personagens que ele cria, mostrando a burguesia de modo cínico, com todos os seus defeitos e mesquinharias é simplesmente genial. Não há maniqueísmo, há apenas a imperfeição humana sendo mostrada através de palavras. E falar de Maupassant sem tocar na questão do horror é quase um crime. As histórias que ele escreve não deixam nada a desejar a grandes nomes como Edgar Allan Poe. Misturando elementos fantásticos ao cotidiano de uma maneira ímpar, alguns contos ficam um bom tempo na memória após a leitura. Cemitérios, mortos, escuridão. Os elementos se combinam criando um efeito surpreendente, que certamente agradará até quem não é muito fã de histórias de terror. A seleção de contos de Noemi Moritz Korn é extremamente feliz. 125 Contos de Guy de Maupassant é daqueles livros para deixar na cabeceira da cama e ser degustado, página à página, tal e qual aquele chocolate caro e delicioso que você não deseja que acabe tão cedo. É um daqueles casos em que você vê o tamanho do livro e fica feliz por saber que tem muito, muito daquele autor ali para aproveitar. (Um último comentário bem fútil: sou apaixonada pelo padrão das capas dessas coletâneas de contos da Companhia das Letras, mas essa roxa dos contos de Maupassant está entre minhas favoritas de todos os tempos. Ficou linda!)

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    Henry René Albert Guy de Maupassant

    Henry René Albert Guy de Maupassant foi um escritor e poeta francês com predileção para situações psicológicas e de crítica social com técnica naturalista. Foi amigo de Gustave Flaubert. Além de romances e peças de teatro, Maupassant deixou 300 contos, todos obras de grande valor. Merecem destaque, entre os mais famosos Bel Ami, Mademoiselle Fifi e Bola de sebo. "A Pensão Tellier" e "O Horla" podem ser considerados seus contos mais significativos. Faleceu no manicômio pouco antes de completar 43 anos, após tentativa de suicídio originada de perturbações causadas pela sífilis que o atormentou por mais de uma década. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse. Foi um influente escritor europeu, trazendo em sua bagagem de seguidores o escritor irlandês James Joyce.

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    Henry René Albert Guy de Maupassant