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    A Pele (Os Imortais da Literatura Universal #46) - La Pelle

    Curzio Malaparte

    Abril Cultural
    1972
    370 páginas
    12h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    91 avaliações
    Leram141Lendo18Querem187Relendo1Abandonos7Resenhas6
    Favoritos10Desejados187Avaliaram91

    “Eram os dias da “peste” de Nápoles.” “A miséria dos tempos, a desordem pública, a grande mortalidade, a avidez dos especuladores, a incúria das autoridades e a corrupção geral eram tais, que, sepultarem cristãmente um morto se tornara coisa praticamente impossível, só permitida a poucos privilegiados. Levar um morto para Poggioreale, num carro puxado por um burro, custava dez mil, quinze mil liras. E como ainda se estava nos primeiros meses da ocupaçção aliada, e o povinho não tivera ainda tempo de ganhar algum dinheiro com os negócios ilícitos do mercado negro, a plebe não podia entregar-se ao luxo de dar aos seus mortos sepultura cristã, de que eram dignos, apesar da sua pobreza. Os cadáveres ficavam cinco, dez e mesmo quinze dias nas casas, à espera do carro do lixo. Decompunham-se lentamente sobre as camas, na quente e fumarenta luz das velas, ouvindo as vozes dos parentes, o ferver da água na cafeteira e da panela de feijão no fogareiro aceso no meio do quarto, os gritos dos meninos que, todos nus, brincavam no chão, e o gemido dos velhos sentados nos vasos, no cheiro quente e persistente dos excrementos, semelhante ao que desprendem os mortos já em plena decomposição.”

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    Wilton Fonseca picture
    Wilton Fonseca06/08/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Surreal, mas também, real.

    Malaparte exibe uma profundidade ímpar no que respeita à história da Europa, assim como da personalidade de seus principais líderes. Em primeiro lugar, introduz uma nota de surrealismo na forma como são narrados os acontecimentos que englobam a dissolução e a destruição dos valores morais à época, tendo como cenário a cidade de Nápoles e o inquietante Vesúvio. Depois, rejeita não apenas a hipocrisia, a vilania, a degradação da sociedade contemporânea e as violências do Estado moderno, mas também, e sobretudo, o homem moderno, degradado e profundamente corrompido pelos males morais e sociais. Para ele, as atrocidades da guerra demonstram que Deus morreu e que a bandeira do homem é a sua própria pele. Pela salvação de sua pele, o homem paga qualquer preço por mais indigno que seja. O romance reportagem A Pele é forte por natureza, viril ao extremo. Constitui-se em leitura obrigatória.

    5 curtidas

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    4 / 91
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    Kurt Erich Suckert

    Kurt Erich Suckert, mais conhecido pelo pseudônimo Curzio Malaparte foi um escritor, jornalista, dramaturgo, cineasta, militar e diplomata italiano. O sobrenome de seu pseudônimo (por si usado desde 1925), significa em italiano "parte má", sendo um trocadilho com o nome de família de Napoleão Bonaparte - que significa, em italiano, "parte boa".

    15 Livros
    10 Seguidores

    Kurt Erich Suckert