Dans une librairie de Buenos Aires, une liasse de feuillets manuscrits très anciens est découverte. Il s'agit d'une longue lettre d'une certaine Floria Emilia, adressée à Aurèle Augustin (l'auteur des Confessions). Floria, qui vécut avec Saint Augustin une véritable passion, fut finalement rejetée par ce dernier. Et l'amante révoquée ne sait comment reconquérir celui qu'elle aime : ma rivale n'était pas une autre femme et je ne pouvais pas la voir, elle était un concept philosophique... Elle était la rivale de toutes les femmes, l'ange de mort de l'amour. Jostein Gaarder, l'auteur du Monde de Sophie, nous livre ici un portrait de Saint Augustin, étayé par des passages des Confessions, où le célèbre philosophe n'a pas forcément le beau rôle...
Vita Brevis - Le lettre de Floria Emilia adressée à Aurèle Augustin
Jostein Gaarder
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Ver maisUma mulher à frente de seu tempo.
Ler Vita Brevis, é mergulhar em um período histórico que ainda hoje é pouco documentado. É uma época de difíceis achados históricos, pois se trata doos séculos IV e V da era cristã, ou seja, o declínio do Império Romano perante as invasões barbaras, e o condicionamento da Igreja cristã que mais a frente surgiria mais forte e unificada. No livro, Flória Émilia escreve uma carta-resposta para Aurélio Agostinho(Santo Agostinho) que é bispo de Hipona Régia, cidade que naquele momento era um dos pilares de sustentação da Igreja Católica. Flória comenta e rediscute a história do livro de Santo Agostinho, que no caso, são as suas Confissões. E a partir de Flória, essas Confissões ganham uma nova leitura. Pois, Santo Agostinho relata suas mémorias, munido muitas vezes de discursos exaltando a abstinência da carne, dos sentidos, das vontades do corpo. E vê tudo como uma forma de se aproximar de Deus. Esse radicalismo levou Agostinho a experimentar extremos, como comer apenas para fazer o corpo se sustentar, ter cuidado com os sonhos, repudiar o sexo feminino, e perceber em muita coisa física, a ausência de Deus(que se tornou, aquilo que Agostinho chama de A Definição do Mal). Então, ao receber o livro de Agostinho do Padre de Cartago, Flória que é uma mulher altamente letrada, começa a contrapor os pontos falados por Agostinho, afinal ela o conhecia bem por ter sido sua concumbina por 12 anos, chegando a ter um filho com ele, chamado Adeodato. Agostinho tentando esconder/esquecer, chama Flória em suas confissões de A Outra. Munida de inteligência fora do comum para uma mulher da época, Flória rebate com elegância e fortaleza, as questões de fé levantadas por Santo Agostinho. Flória bebe da fonte de grandes pensadores da Antiguidade Clássica(Grécia e Roma)por exemplo: Cícero, Homero, Horácio, Terêncio. E fazendo alusões a algumas escolas de pensamento gregas como o Epicurismo e o estoícismo. Tão compraovada era sua sabedoria, que Flória vê com olhos de desprezo, a paixão de Agostinho pelos escritos platônicos, algo que vai fundamentar altamente a obra mais importante do santo, o livro A Cidade de Deus. Por tudo isso, não há como se render a Flória Emília. Uma mulher que estava acima de sua classe social, do seu tempo, e que foi um coringa na história como outras mulheres de seu tempo como Santa Modesta. Trazendo para o nosso tempo, Flória é a figura da mulher moderna, que não se cala diante das intervenções dos homens, de políticas masculinas, e que buscou de uma forma incrivel o conhecimento, para poder se defender das armadilhas que o homem lançava as mulheres naquela época. Era uma visionária, porque já adianta em sua carta algo que só aconteceria oito séculos depois, o começo da perseguição as mulheres. Realmente ela tinha razão ao dizer que "[...]Escrevo essa carta não só para voce Aurel, mas talvez para toda a Igreja Cristã." É uma pena não sabermos o que aconteceu com Flória, mas ela tinha razão em muita coisa que escreveu. Principalmente quando dizia que "A vida é muito curta."
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