Na Itália continental de 1944, Cesira, uma mulher de meia-idade oriunda da região montanhosa da Ciociara vive em Roma com sua filha adolescente Rosetta após a morte de seu marido comerciante, onde leva também uma vida de comerciante de gêneros alimentícios no mercado negro, obtendo grandes lucros que utiliza para sustentar uma vida regalada.
Com o bombardeio de Roma e a invasão da cidade por tropas do Terceiro Reich, Cesira e Rosetta abandonam Roma com suas economias e refugiam-se no vilarejo de Santa Efemia, localizado nas montanhas. Conhecem camponeses bondosos, como a família Fiesta, em especial o jovem intelectual Michele. Conhecem outras pessoas cuja maldade é latente como no caso de Concetta e sua família. Logo, por interlúdio dessas relações são modificadas em suas personalidades, como observamos no desfecho da novela ao compararmos as personagens iniciais e finais.
De um modo geral, "La Ciociara" é um livro que descreve os temores oriundos da guerra e como esta modifica as pessoas por suas situações extremas. O próprio Morávia afirma "a guerra endurece o coração" e o afirma com propriedade por ter vivenciado situações análogas às enfrentadas por Cesira.
Quanto à escrita de Morávia, pode-se afirmar que em especial nesse livro o mesmo desenvolve a história inteira com pouquíssimos diálogos entre os personagens e muito fluxo de consciência, de forma semelhante à seu outro livro "A Romana". Portanto, trata-se de um clássico italiano imprescindível que em muitos aspectos nos faz refletir.