Quando a nota, ao final de Conversas na Sicília, diz que o nome Sicília foi usado apenas porque soa melhor que Pérsia ou Venezuela, tem-se uma clara indicação de perspectiva mítica em que mergulha o texto de Elio Vittorini. Na verdade, os pequenos capítulos em que se divide o romance realizam uma perfeita conjunção entre representação objetiva e significação simbólica. Do lirismo com que fragmentariamente se esboça um retrato do habitante das pequenas aldeias da Itália emergem planos mais abrangentes, como a própria dimensão moral do homem. Publicado no final dos anos 30, Conversas na Sicília, representando a maturidade estética de seu autor, que viveu entre 1908 e 1966, é uma das obras-primas da literatura italiana deste século.


