Nessa época em que se discute o futuro da vida, criam-se bebês de proveta, explora-se a engenharia genética, ocorre a revolução cibernética, constroem-se máquinas que pensam, fazem-se experiências com clonagem, o mito de Frankenstein é mais atual do que nunca, passados mais de 180 anos. O livro deste renomado perito em História da Romênia e da Europa Oriental, co-autor de "Em Busca de Drácula e outros Vampiros", mergulha nas origens do mito e revela aspectos impressionantes e inusitados de sua história. Será que o monstro de Frankenstein surgiu inteiro da imaginação de Mary Shelley, naquele verão chuvoso do ano de 1816? Ou foi apenas o prduto de uma competição para escrever "a melhor história de fantasmas"? Ou ainda, será que a esposa de Percy Bysshe Shelley, famoso poeta inglês, juntou as peças da torturada criatura a partir do mistério e do mito que cercavam a maldita família Frankenstein e o inescrupuloso alquímico Konrad Doppel que realizava suas experiências diabólicas no castelo deles?
Em Busca de Frankenstein - O Monstro de Mary Shelley e seus Mitos
Radu Florescu
Mary Shelley: Frankenstein ou o moderno Prometeu, talvez o maior romance de terror gótico já escrito
Visão Geral "Frankenstein, ou o moderno Prometeu", é muito provavelmente o romance de terror gótico mais bem conceituado já escrito, e um dos que mais influênciaram a literatura e a cultura popular ocidental. Sob atuoria de Mary Shellley, na época uma jovem inglesa de 19 anos, o livro traz em si, uma forte influência do Romantismo. A história é sobre Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constroi um monstro em seu laboratório. O romance é narrado através de cartas escritas pelo capitão R. Walton para sua irmã enquanto ele está ao comando de uma expedição náutica que busca achar uma passagem para o Polo Norte. Durante a viagem o mar se agita e em uma balsa de gelo avistam o moribundo doutor Victor Frankenstein. Ao ser recolhido, Frankenstein passa a narrar sua história ao capitão Walton, que a reproduz nas cartas a irmã. Encontramos aqui uma estrutura pouco convencional na literatura, que é uma narração dentro de uma narração. A inspiração na Ciência: Correntes Galvânicas Podemos encontrar na ciência uma inspiração literária ? Mary Shelley provou que sim. Além de toda elaboração e profundidade sentimental presente no livro, ele dá uma noção muito clara do interesse da jovem escritora pela ciência. Na época em que viveu Mary Shelley, alguns cientistas acreditavam que de alguma maneira, a eletricidade poderia reanimar os mortos para a vida Os experimentos com o fluxo ordenado de electrons em uma só direção, o que chamam de corrente galvânica (ou corrente contínua), causaram grande espanto aos cientistas na época, quando constataram que se os mesmos fossem utilizados em alguma pessoa morta, ela reagirá fisiológicamente como se ainda estivesse viva, terá contrações musculares e até demonstrará expressões faciais. Foi nessa idéia que Dr. Frankenstein se apegou ao reunir pedaços mortos, juntálos e torna-los em algo vivo, pela eletricidade. A inspiração na Alquimia Podemos identificar focos no livro em que encontramos muitas influências da Alquimia, um campo de interesse bem particular de Mary Shelley. Podemos relacionar muito bem a ideia de Victor com a ideia chave da alquimia, que é transformar o bruto metal grosseiro e inútil (morto) em ouro relusente (vida). Nada melhor que exemplificar isso com uma citação do próprio livro: "Sob a direção de meus novos mestres, atirei-me, nada mais nada menos, à descoberta da pedra filosofal e do elixir da longa vida" A descoberta da pedra filosofal, é objetivo de todo alquimista, esta pedra (que pode ter vários sentidos), segundo a alquimia, é capaz de transformar metais em puro ouro alquímico. Nada mais conveniente pra mim, de relacionar essa pedra filosofal com os conhecimentos de Victor, pois é pelo conhecimento (a pedra filosofal) que ele transformará o metal bruto (morte) em ouro (vida). Crítica Social Esse livro definitivamente não é um simples conto de terror. Podemos encontrar neste livro um leque enorme de referências do estudo social, dos efeitos da rejeição e da marginalidade, do preconceito. Enfim, uma obra completamente genial Uma das motivações do monstro em destruir, esta também calcada na frustração dele por suas descobertas em relação ao caráter humano. Aprendi, Frankenstein, que os bens mais almejados pelos seus semelhantes eram a alta posição, a reputação e as riquezas No processo de auto-aprendizagem, Frankenstein se depara com o frio universo humano, a verdadeira força negativa de toda a história contada no livro.
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