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    Filhos do Éden (Filhos do Éden #2) - Anjos da Morte

    Eduardo Spohr

    Verus
    2013
    586 páginas
    19h 32m
    ISBN-13: 9788576862451
    Português Brasileiro
    4.4
    7781 avaliações
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    Quando o século XX raiou, o tecido da realidade, a barreira mística que separa os mundos físico e espiritual, adensou-se. Os novos meios de transporte, as ferrovias e os barcos a vapor levaram o progresso aos cantos mais distantes do globo, pervertendo os nódulos mágicos, apagando o poder dos velhos santuários, afastando os mortais da natureza divina. Isolados no Sexto Céu, incapazes de enxergar a terra justamente pelo agravamento do tecido, a casta dos malakins, cuja função é estudar e catalogar os movimentos do cosmo, solicitou ao arcanjo Miguel a criação de uma brigada que descesse à Haled para pesquisar os avanços da civilização. O príncipe ofereceu o serviço dos exilados, que há milênios atuavam na sociedade terrestre, alheios às batalhas que se desenrolavam no paraíso. Destacados, então, para servir sob as ordens dos malakins, esses exilados foram reorganizados sob a forma de um esquadrão de combate. Sua tarefa, a partir de agora, seria participar das guerras humanas, disfarçados de meros recrutas, para anotar as façanhas militares, as decisões de campanha, e depois relatá-las aos seus superiores celestes. Esse esquadrão tomou parte em todos os conflitos do século XX, das sangrentas praias da Normandia ao colapso da União Soviética. Embora muitos não desejassem matar, era exatamente isso o que lhes foi ordenado, e o que infelizmente acabaram fazendo. Em paralelo às aventuras de Denyel, que se desenrolam cronologicamente de 1944 a 1989, acompanhamos também, no tempo presente, a jornada de Kaira e Urakin em busca do amigo perdido, que caíra nas águas douradas do rio Oceanus, durante a destruição da ilha-fortaleza de Athea em Herdeiros de Atlântida.

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    Laura Hofmann24/05/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um resenha emocional

    Primeiramente gostaria de me desculpar de antemão caso o local para postar esta minha impressão não seja exatamente o presente campo, enquanto de resenha. Porém me pareceu o local perfeito para fazer minhas considerações sobre Anjos da Morte. O autor já havia manifestado a intenção de realizar uma viagem pelo século XX, mas a questão é que para mim acabou sendo uma experiência catártica, resgatando minha memória emocional neste processo. Isso porque minha própria história (e de minha família) está misturada com um dos principais eventos deste século, no caso, a Segunda Guerra Mundial. Aos oito anos eu sabia que algo de muito sério havia acontecido com meus avós e que determinara algumas curiosidades em minha família, como o fato de que apesar de serem alemães só se falava inglês em casa. E eu sabia também que tinha relação com a tal guerra, mas ninguém falava mais sobre o assunto e havia um certo sentimento de vergonha em perguntar mais. Mas a curiosidade perdurava então eu fiz o que toda criança de oito anos faz: fuçar ao máximo. Como as enciclopédias só explicavam os fatos e nunca o que eu sentia me pareceu natural verificar a programação de filmes da madrugada atrás de tudo o que tratasse de Segunda Guerra. E assim eu passei algumas madrugadas com fones de ouvido, cuidando para não acordar meus pais, nas quais assisti Aurevoir les Enfants, Cabaré e outros. Depois outros filmes que tratavam de outras guerras e mesmo O Sol da Meia Noite que me fez compreender um outro lado da Guerra Fria. Meus pais nunca desconfiaram o porque eu era tão sonolenta e rabugenta de manhã. Este processo me ensinou que só me restaria entender o que leva à guerra e diante dela ser prática e pragmática olhando o confronto de frente, nunca me esquivando. E dessensibilizando ao máximo, pois estar pronto à lutar é sobreviver e "tudo é um jogo". Porém vamos aos Anjos da Morte. E vamos aos olhos deste anjo. Não qualquer anjo. Um querubim que em Herdeiros de Atlântida me pareceu apenas (e paradoxalmente) um cafajeste de boa índole. Ele também vislumbra conflitos pela ótica pragmática diante do inevitável e das ordens que deveria cumprir como bom querubim. Foi diante deste olhar e do esforço de entender como eu mesma estou aqui e o que eu faria dali para frente que senti o quanto cada conflito, cada guerra, cada morte não é um número ou estatística, mas um Universo. E que a dor de presenciar a corrupção moral deste anjo é a de presenciar a corrupção moral de toda humanidade naquele período. Foi esta conclusão que cheguei que me levou novamente ao momento em que o tal Muro de Berlim caiu: pensamentos pragmáticos sobre guerras e mortes não cabem no terreno conjectura. Porque se um Anjo da Morte não entende e não aceita, não seria a garotinha ruiva acordada de madrugada que iria entender.

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