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    O Anticrítico -

    Augusto de Campos

    Companhia das Letras
    1986
    234 páginas
    7h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.2
    25 avaliações
    Leram49Lendo5Querem56Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos5Desejados56Avaliaram25

    Como classificar este livro de Augusto de Campos? Poesia-crítica? Crítica-poesia? Crítica da crítica? Qualquer que seja a definição, Dante, Donne, Gregório de Matos, E. Fitzgerald, Emily Dickinson, Lewis Carrol, Gertrude Stein, Duchamp, John Cage, entre outros, são aqui reconversados numa linguagem nova, antiacadêmica, e revistos de uma perspectiva não convencional. Os poetas são revistos em versões que se impõem os requintes e os rigores da tradução-arte. Tradução seletiva, personalizada, onde os valores estéticos e anímicos dos textos originais são recriados em português, numa operação ao mesmo tempo crítica e poética.

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    Resenhas (4)Ver mais
    Pedro Henrique Müller picture
    Pedro Henrique Müller07/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma não-crítica crítica. A crítica-da-crítica, mas que não se quer crítica e assim o é, talvez mais até do que as outras. Não para que se negue a crítica acadêmica, mas para que ela não estrangule e nem sufoque ninguém. Quanta liberdade em misturar tudo: Cage, Gertrude Stein, Gregório de Matos, John Donne, Lewis Carroll, Duchamp, Dante Alighieri, Mallarmé, Emily Dickinson Que caldo, que salada! Ou, como diria a sua versão para a canção da Falsa Tartaruga de Alice no País das Maravilhas: Que bela Sopa, de osso ou aveia, A ferver na panela cheia! Quem não diz: - Ave! Quem não diz: - Eia! Quem não diz: - Opa! que bela Sopa! So__pa, só__ó So____opa! Que bela Sopa! Quem não se baba não papa. A linguagem em pó da poesia de todos que são e não são Augustos. Que imbecilidade da crítica querer concluir qualquer coisa. Se não sabemos nem as perguntas, para que respostas? Duchamp disse: não há solução pois nem há problema. Escultura, construção, falsa cascata de textos poéticos, Augusto, a falsa-tartaruga, como os disfarces alter-egos de Duchamp, parece dramatizar a si mesmo, dramaturgo da poesia alheia, que rouba e subverte, reescreve, surrupia, omite, sequestra, transforma, muda tudo. Ator-poeta de múltiplas figuras, tipos e vozes, não nega os truques e mostra-os à plateia, como Brecht. Escondendo-se nos outros, Augusto escreve um livro de outros, como um Pierre Menard, como um DJ que cria na não autoria. Pode-se implicar com os irmãos Campos e suas transcriações, realmente elas não são ortodoxas. A tradução deles é outra coisa. Por isso é preciso outro nome. Transduções. Transcriações. Intraduções. São trans-invenções. Quem não gosta geralmente se queixa: Ah mas esta palavra da esquerda não tem essa correspondência exata na palavra da tradução da direita. Quanta confiança nas palavras. E quanta fé no significado. O que me encanta nos irmãos Campos é justamente essa anarquia paralógica, supralógica. A preocupação é estética. Pois, como Pound, sabiam que a poesia não se domestica à sintaxe. É jogo plástico, ritmico, sonoro, verbal, vocal, visual. Só se preocupar com um destes aspectos é muito pouco! Se não há a dança do intelecto pelas palavras, de que serve cantar uma música morta? Nas mãos dos irmãos Campos toca uma dança originalíssima e transgressora que a tudo abraça e nega ao mesmo tempo. Apropria-se sem ser. Ou a poesia deve permanecer coagulada numa dicção mortiça, ou ser re-ouvida re-re-escrita e servida a novos ouvidos e olhos livres, como queria Oswald. Canibalmente. A poesia nos fatos, nos fatos estéticos. Deglutida, mil vezes mastigada e cuspida de volta. Carne de outra perna. A poesia nas coisas, nos cipós e nas metrificações. Alegria dos que não sabem e descobrem. A invenção. A surpresa. Outra perspectiva. Para nos abalar e nos rebelar. Musicaos. Não é preciso concordar com Augusto para amá-lo. VIVA Augusto de Campos VAIA

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    Augusto de Campos

    Augusto Luís Browne de Campos (São Paulo, 14 de fevereiro de 1931) é um poeta, tradutor e ensaísta brasileiro. Estreou em 1951 com o livro "Rei Menos o Reino", quando ainda era estudante da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. É um dos criadores da Poesia Concreta, junto com seu irmão, Haroldo de Campos, e Décio Pignatari, que ao romperem com o Clube de Poesia, lançaram a revista Noigandres.

    40 Livros
    30 Seguidores

    Augusto de Campos