Mea Cuba -

    Guillermo Cabrera Infante

    Alfaguara
    1992
    472 páginas
    15h 44m
    ISBN-1: 0
    Espanhol

    Este livro é um mergulho na memória como fio capaz de suportar e dar sentido à condição de exilado e à experiência radical do dissidente. Por isso inicia com a epígrafe emblemática de José Martí: "Cuba nos une em solo estrangeiro". E é Cabrera Infante quem adverte: "Cuba não foi descoberta para a história há cinco séculos, e sim para a geografia [...] A história, ou seja, o tempo, passará, mas permanecerá sempre a geografia, que é nossa eternidade". Trago amargo dessa gênese que já é, desde logo, êxodo. Dos amigos perdidos, das pequenas histórias esquecidas, de utopias mal sonhadas: disso tudo falam-nos um pouco estas crônicas. De quem é a culpa por tantos extravios, tantas perseguições, tantas mortes? Frente à tirania, a inteligência muitas vezes termina só. E sofre na lembrança de uma ilha distante.

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    Elder Kloster11/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Y de mi Cuba, qué?

    Algumas coisas acontecem nesta vida sem entendermos o porquê. Comprei “Mea Cuba” de um vendedor ambulante dentro da universidade, em Guarapuava – PR. Sabe-se lá qual o motivo, talvez mais pela lábia do vendedor. Li após a compra e suas letras caíram na parte do esquecimento do cérebro. Agora que reli, tentarei colocar na parte importante. Guillermo Cabrera Infante foi um exilado cubano. Antes disso um escritor, um poeta. Teve a tristeza de viver na época de Batista e Castro, sendo exiliado neste último governo. Gostaria de poder entrar em detalhes sobre o que ele fala de Fidel e Che, mas acho que é melhor eu me atentar ao lado literário. Se a curiosidade bateu, te convido para a leitura. Neste compêndio das cartas e das palestras escritas de Cabrera, pude conhecer Cuba. Conheci Cuba através dos escritores e das personalidades, detalhando assim uma história. Conheci seus ídolos, seus amigos através dos escritores/poetas José Martí, Virgilio Piñera, Lezama Lima, Calvert Calsey, do enxadrista (não sabia, mas ele é considerado um dos maiores jogadores de xadrez de todos os tempos) Jose Raúl Capablanca y Graupera, ou Capa. Cabrera também cita o argentino Jorge Luis Borges e (para minha alegria) ele também cita Machado de Assis. E esses são apenas uma mínima porcentagem dos personagens que Cabrera cita. O que me espanta neste livro é o seu amor a escrita, a leitura e a Cuba (apesar de não poder morar lá). Ele consegue demostrar o quão importante é a literatura cubana para o mundo e o quão bonito é sentir, lendo, uma pessoa apaixonada pelo seu país. Talvez não só pelo seu país, mas pela América (que ele não chama Latina, pois é uma convenção adotada por Paris, adotada pelo Estados Unidos). Ele consegue criar paralelos entre escritores da América do Sul e Central, escritores esses que eu não tinha a menor ideia que existiam. Fico me perguntando, onde o Brasil errou em não conhecer a América. Ficamos mais iludidos com a velha Europa (já que depois de Colombo aqui era o Novo Mundo) e esquecemos das belezas naturais e das produções da América. Pra falar a verdade, não conhecemos nem nosso Brasil direito, nem seus autores, nem sua história e nem sua geografia. Segundo Cabrera a geografia é mais importante que a história, pois sem geografia não existe nada. O que posso dizer é: leiam Cabrera Infante. E leiam Machado de Assis.

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