Este livro é um mergulho na memória como fio capaz de suportar e dar sentido à condição de exilado e à experiência radical do dissidente. Por isso inicia com a epígrafe emblemática de José Martí: "Cuba nos une em solo estrangeiro". E é Cabrera Infante quem adverte: "Cuba não foi descoberta para a história há cinco séculos, e sim para a geografia [...] A história, ou seja, o tempo, passará, mas permanecerá sempre a geografia, que é nossa eternidade". Trago amargo dessa gênese que já é, desde logo, êxodo. Dos amigos perdidos, das pequenas histórias esquecidas, de utopias mal sonhadas: disso tudo falam-nos um pouco estas crônicas. De quem é a culpa por tantos extravios, tantas perseguições, tantas mortes? Frente à tirania, a inteligência muitas vezes termina só. E sofre na lembrança de uma ilha distante.
Mea Cuba -
Guillermo Cabrera Infante
Companhia das Letras
1996
518 páginas
17h 16m
ISBN-10: 8571645647
Português Brasileiro
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Guillermo Cabrera Infante
Foi um romancista, contista, poeta e ensaísta cubano naturalizado britânico. Vencedor do Prêmio Cervantes de literatura em 1997. Foi "agregado cultural" (espécie de embaixador) de Cuba em Bruxelas de 1962 até 1965, antes de romper com o regime de Fidel Castro. Residiu em Bruxelas até sua morte em 2005. O escritor qualificou seu destino em Bruxelas como "uma espécie de Sibéria", só aceitou o serviço porque não aguentava estar mais em Havana. Muitos de seus livros são romances autobiográficos, que descrevem sua infancia, juventude e a revolução, bem como o cotidiano dentro do regime cubano.
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