Neste volume, Ramsés tem de enfrentar um exército inimigo com poder bélico maior do que o seu enquanto busca salvar a vida de sua esposa que está gravemente doente. Ramsés - 3 A Batalha de Kadesh
Ramsés: A Batalha de Kadesh (Ramsés #3) -
Christian Jacq
Agora Christian Jaq finalmente me conquistou
Estou completamente impactada com o feito alcançado por Christian Jaq em A Batalha de Kadesh. Ele conseguiu me fazer devorar esse volume praticamente inteiro na terça-feira de carnaval. Eu estava preparada para uma leitura morna, sem nenhuma empolgação. Duvidava até que, depois de dois livros três estrelas, o autor conseguiria mudar o que vinha sendo, em minha opinião, uma leitura consistente, mas sem grandes viradas ou momentos catárticos. Inesperadamente, foi exatamente isso que ele entregou neste terceiro volume da série Ramsés. Após ser surpreendido por um ataque em que os hititas surgem atrás dos muros da Fortaleza de Kadesh, o faraó perde uma divisão inteira de seu exército: suas linhas são quebradas e sua infantaria, massacrada pela cavalaria inimiga. Em meio ao caos da batalha, Ramsés se vê abandonado, encarando o medo nos soldados que recuam e o deixam completamente sozinho diante dos temidos guerreiros da Anatólia. Nesse momento, ele faz uma prece ao deus Amon e lidera um contra-ataque, abrindo praticamente sozinho um caminho através das fileiras hititas. Rompe o cerco e empurra o inimigo em direção ao rio Orontes, infligindo pesadas baixas ao fazer grande parte do exército adversário se afogar em suas águas lamacentas. A Batalha de Kadesh é descrita por Jaq na medida certa, no espaço exato entre o fato histórico e o mito. E isso conseguiu gravar em minha memória os feitos monumentais de um personagem marcado por um impressionante domínio político e militar, capaz de moldar o curso da história do Império Egípcio. A narrativa atravessa as páginas dessa ficção histórica e dialoga com a história real que conheço do grande Ramsés II. Nunca mais pensarei no deserto saariano da mesma forma após ler a magistral construção feita por Christian Jaq desse grande império do Egito Antigo. Estou realmente surpresa com a evolução na escrita do autor. O desenvolvimento e a progressão dos acontecimentos, desde a iminência da guerra até culminar na batalha que dá nome ao livro, criam uma tensão crescente e despertam uma expectativa que aumenta gradativamente, sem que o ritmo perca força. E o melhor de tudo é o momento de catarse, capaz de empolgar de verdade. Pela primeira vez, Christian Jaq conseguiu me deixar feliz e admirada com a entrega de uma conclusão à altura de sua construção. Assim, A Batalha de Kadesh entrega tudo aquilo que O Filho da Luz e O Templo de Milhões de Anos haviam deixado a desejar. E, como se não bastasse, pela primeira vez desde que iniciei a leitura da série, o autor arrancou de mim uma gargalhada sincera: Ramsés adentra uma comemoração onde grandes opositores de seu reinado e conspiradores refestelavam-se e simplesmente alista todos eles em seu exército. Foi uma demonstração de sagacidade surpreendente. O faraó transforma sua cidade de turquesa, povoada de jardins e espelhos d’água, Pi-Ramsés, em um grande campo de treinamento militar. Dali parte para a ofensiva contra os temidos hititas, enfrentando-os com a coragem e a determinação de um verdadeiro deus, conquistando, protegendo e legitimando um poder que, no início, parecia delicado e instável. Ramsés assume a liderança de seu império com segurança e confiança no poder dos deuses e, seguindo a regra de Mâat, vive um momento de grande ascensão, e, em meio a tudo isso, acaba me conquistando completamente. Já estou empolgada para pegar o próximo livro da série.
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