Balzac e a Comédia Humana -

    Paulo Rónai

    Globo
    2012
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788525052926
    Português Brasileiro

    A já lendária edição de A comédia humana, de Honoré de Balzac – que ganha a partir de 2012 sua terceira reedição revista, atualizada e ampliada –, contou desde sua primeira edição com a orientação, introduções e notas de Paulo Rónai (1907-1992). A edição de seus dezessete volumes tomou anos da vida de Rónai, e é um patrimônio brasileiro que constitui uma das poucas edições no mundo que rivalizam com a edição francesa. Paulo Rónai, húngaro naturalizado brasileiro que se tornou um dos mais importantes intelectuais do país, tinha em seus estudos sobre Balzac, desenvolvidos durante toda a sua vida, um tesouro que se viu cristalizado em milhares de páginas graças ao cuidado da editora Globo, ainda em Porto Alegre. Rónai foi um dos maiores conhecedores dessa imensa empreitada ficcional do século XIX, ainda que recusasse o título de especialista e a tivesse produzido no contexto de uma carreira intelectual rica e variada. Nesta reunião de ensaios, o leitor encontrará estudos sobre A comédia humana que servem como introdução ao vasto universo do autor – “O estilo de Balzac”, “O mundo de Balzac” – e ainda sobre aspectos particulares – “Paris, personagem de Balzac”, “O Brasil na vida e na obra de Balzac”, “O pai Goriot dentro da literatura universal”, por exemplo. A presente edição é acrescida ainda de uma bibliografia do autor, correspondências trocadas com Eliana Sá, responsável pela segunda edição de A comédia humana, e um texto inédito em livro, que conta a epopeia da primeira edição. O estilo de Rónai é um caso raro na crítica literária. Profundo, erudito, elucidativo, mas recusando a pompa que costuma afastar o leitor comum dos estudos literários. Exemplo do texto cristalino e do exercício generoso da escrita, Rónai instrui, informa, ao mesmo tempo em que cativa o leitor e o convida para o conhecimento mais profundo.

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    Bruno Cunha27/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Rónai, um grande conhecer de Balzac.

    É impossível deixar de perceber o carinho de Paulo Rónai a Honoré de Balzac, primeiro porque em momento diversos é explícito, mas em muitíssimos outros é implícito. Isto poderia ser ruim, visto a parcialidade não evidenciar aspectos que o autor não julga serem relevantes por não apresentar bem aquele de quem se fala. Mas, não é o caso de Paulo Rónai. Ele fala mesmo, expõe as falhas de Balzac, mas também mostra o espírito reparador que o próprio desenvolveu para, de fato, alcançar os seus sonhos. "A Comédia Humana" foi um sonho e uma empreitada enorme de Balzac, que lhe custou bons anos de sua vida, esforços descomunais para, em seu tempo, no século XIX, obter recursos para editar manuscritos. Os editores o odiavam! Mas, que felicidade terem o publicado! O obra é dividida em partes: I - O mundo de Balzac (Rónai discorre sobre o nascimento d'A Comédia Humana; dela dos roman-fleuve da época, os labirintos e enigmas de Balzac); II - "O pai goriot" dentro da literatura universal (Para minha surpresa não é 'Ilusões Perdidas' a masterpiece de Balzac, mas 'O pai goriot'. Rónai se demora na analise desta obra, com detalhes, mas ainda parecem poucas as páginas dedicas a este tema em contraponto a sua relevância; III - Balzac contista (Rónai compartilha das experiencias de Balzac com o conto) IV - O Estilo de Balzac (um dos meus capítulos favoritos, porque Rónai coloca uma lupa nas frases, passagens e demais excertos da obra balzaquiana. Balzac foi uma 'máquina' de raciocínio, de produção literária, e evoluiu de forma progressiva como autor, tendo seu estilo acompanhado e evolução). V - Paris, personagem de Balzac (É com realismo que Rónai fala da Paris da época de Balzac. Não há floreios. Impactante, reflexivo). VI - O Brasil na vida de na obra de Balzac (Rónai fala sobre o pensamento de Balzac sobre o Brasil, um projeto de viagem ao nosso país e um personagem balzaquiano brasileiro). Rónai, responsável desde a primeira edição d'A Comédia Humana no Brasil, comenta ainda sobre o projeto da editora Globo em publicá-la, o que é no mínimo interessante! É impossível não sentir vontade de se debruçar sobre este monumento literário. Tenho as edições da Biblioteca Azul e vou degustar, ler um tomo por ano. Começando em 2021 termino em 2038! Deve ser uma baita experiência! =)

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