"(... ) Perdido em meio ao oceano Pacífico, ele precisa dividir o pouco espaço disponível com um tigre-de-bengala, chamado Richard Parker, que Pi aprende a domar, tornando a fera sua aliada para resto da viagem."
Essa é parte da sinopse do livro que começa lento e despretensioso relatando a infância de Pi em Pondicherry, na Índia antes da fatídica viagem, e quando nos damos conta estamos no mar com ele dentro de um bote salva-vidas rodeados pelo perigo, empoleirados em um remo tentando sobreviver.
Piscine Molitor Patel, um garoto indiano que segue três religiões, apesar de ser filho de pais ateus, ficou à deriva por 227 dias, sete meses, e nunca abandonou nem por um instante a vontade de viver.
Essa obra é uma grande alegoria cheia de significados e reflexões. O autor consegue através da história de vida desse personagem ministrar valiosas lições e ao mesmo tempo encantar e fazer chorar em vários momentos.
E ao final da história tivemos uma jornada que passa por uma inacreditável fantasia que oculta uma horrenda e nefasta realidade. Do bote que atraca na praia de uma cidade no México desembarca um garoto completamente mudado; que perdeu a família, a inocência e descobriu muito cedo do que o ser humano é feito e o quanto de sofrimento é capaz de suportar e ainda assim permanecer vivo.
O livro é narrado por Pi em primeira pessoa através de uma entrevista cedida a outro personagem, o autor tem uma escrita bem poética que deixa mais fácil acompanhar as tragédias da história, tornando a leitura agradável apesar de toda tristeza e lágrimas que ela desperta.
As Aventuras de Pi: fala do que há de mais profundo e primitivo guardado no âmago do nosso ser. Os últimos dez por cento do livro me embrulhou o estômago e encheu meu coração de comiseração... tive que parar de ler por várias vezes o relato em busca de fôlego. Terminei o livro com o coração pesado e me debulhando em lágrimas diante daquele final.
Eu já havia assistido ao filme, mas confesso que o livro foi muito mais do que eu esperava.
Pi é um personagem corajoso e inocente, bondoso e resiliente... mostra uma admirável forma de encarar o mundo e as adversidades que se apresentam. Aprendi muito com ele, principalmente: que as vezes é necessário enganar a nós mesmos para conseguir manter a esperança e continuar vivendo.
Recomendo para todos.