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    A Farsa (Grandes Obras / Livros de Bolso Europa-América #559) -

    Raul Brandão

    Publicações Europa-América
    1992
    132 páginas
    4h 24m
    ISBN-13: 9789721034716
    Português
    3.7
    8 avaliações
    Leram8Lendo0Querem6Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados6Avaliaram8

    Publicada em 1903, “A Farsa” de Raul Brandão é, possivelmente, a sua obra que mais se aproxima da estrutura narrativa de um romance convencional. Não deixa, no entanto, à semelhança das outras obras do autor, de ser uma obra de caráter expressionista, marcada pelas correntes do Simbolismo e Decadentismo. A obra mistura também elementos romanescos, trágicos, cômicos, farsantes e até líricos numa prosa marcadamente poética: “a água come as pedras, as lágrimas molham e desgastam as criaturas” – uma característica estilística usual em Raul Brandão. A Farsa é essencialmente uma narrativa dramática que discorre sobre a ideia e a forma como nós, indivíduos, usamos máscaras sociais como fachada e dissimulação, para encobrir a nossa interioridade conturbada e o nosso “eu” psicológico verdadeiro que é cada ser humano, reduzindo esta ideia aos traços grosseiros da caricatura, mas sempre com uma sensibilidade inigualável, como todas as obras de Raul Brandão. ==== https://showlivros.wordpress.com/coleccoes/literatura/bolso-europa-america/

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    Tiago Vinhoza picture
    Tiago Vinhoza19/10/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Candidinha, a raiva e o rancor personificados

    Para alguém como eu que só conhecia Raul Brandão pela sua literatura de viagem, esta leitura foi um choque. A linguagem dura, bruta chega até a chocar quem estava acostumado com a prosa poética quase idílica de “Os Pescadores” e “As Ilhas Desconhecidas”. A personagem principal, Candidinha, é uma velha pobre, sofrida e maltratada pelas outras velhas da vila. A sua raiva, seu rancor e ódio por tudo e todos é descrito de forma duríssima. Chega a ser chocante. Não é uma leitura fácil. Temos o pior da natureza humana. Candidinha é quase uma versão feminina do homem do subsolo de Dostoiévski.

    5 curtidas

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    3.7 / 8
    • 5 estrelas13%
    • 4 estrelas63%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Raul Germano Brandão

    Foi um jornalista, prosador, ficcionista, dramaturgo, pintor e militar português, famoso pelo realismo das suas descrições e pelo lirismo da linguagem. Publicou contos, livros de viagens, peças de teatro, memórias e estudos históricos. A sua prosa tem um visível idealismo no lírico anarquismo niilista, uma influência que advém do grupo de escritores portuenses, boémios e entusiastas do simbolismo decadente. Como era neto de um pescador, os seus textos resumem simpatia e angústia para com os mais pobres ao evocarem as desgraças dos humilhados e ofendidos.

    20 Livros
    2 Seguidores

    Raul Germano Brandão