Uma das características fascinantes de Agatha Christie é como, ao longo de suas dezenas e dezenas de livros, ela vai desenvolvendo sutis variações do tema básico do Whodunit, o jogo de detecção que consiste em descobrir o culpado a partir das pistas que são apresentadas no decorrer da história. Assim é que temos, por exemplo, esse clássico jogo policial aplicado a um cenário de julgamento em Testemunha de Acusação, uma das melhores tramas de Agatha. Já em Os Cinco Porquinhos, outro livro muito querido pelos fãs, esse mesmo jogo é aplicado a uma situação em que temos um número bem reduzido de suspeitos. Penso que Cipreste Triste foi uma variação combinada desses dois temas: uma história que envolve um tribunal e com poucos suspeitos.
A história é envolvente e diverte como sempre, embora eu tenha achado a solução do mistério meio óbvia, justamente pelo número reduzido de suspeitos. A trama, que é protagonizada por Poirot, renova ainda ao apresentar a cena da elucidação de forma fragmentada.
Uma curiosidade a mais foi ter lido uma tradução no português de Portugal (provavelmente de antes do acordo ortográfico), o que gerou algumas estranhezas, sendo a principal delas o próprio instrumento do crime: uma sanduíche envenenada!
- O senhor deve ser um homem incrivelmente simples. Não vê que fácil me é mentir-lhe?
- Não faz mal - disse placidamente Hercule Poirot.
Ela ficou intrigada.
- Não faz mal?
- Não, porque as mentiras dizem ao interlocutor tanto como as verdades. às vezes até dizem mais.
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