O fato das crônicas abordarem assuntos da política da época (1888-1889) é ruim, pois deixa os textos MUITO entediantes e MUITO difíceis de serem compreendidos por uma simples estudante do século XXI, mas ao mesmo tempo é bom, pois dá uma ideia de como era o cenário político da época.
Algumas crônicas me remeteram a "Triste Fim de Policarpo Quaresma", pois tratam sobre políticos extremamente nacionalistas (assim como Policarpo) que condenam o uso de palavras estrangeiras, tentando, de maneira cômica, substituí-las por neologismos (o que também me lembrou de Odorico Paraguaçu em "O Bem-Amado").
Novamente, o narrador usado por Machado de Assis me irritou muito, assim como em "Dom Casmurro" e em "Memórias Póstrumas de Brás Cubas". Mas começo a entender que é justamente por meio desse narrador babaca (que, inclusive, se assemelha muito à figura de Medalhão, descrita no conto "Teoria do Medalhão") que Machado realiza suas críticas e ironias sutis (bem sutis mesmo, eu acho que eu não entendo nem 20% delas).
Mas não dá pra negar que eu senti RAIVA do político ignorante que é esse narrador!! Em especial na crônica do dia 19 de maio sobre a Lei áurea. Nela, o narrador conta que libertou seu escravo poucos dias antes da abolição e se GABA por isso (faz até um banquete para se auto promover), mas continua tratando o escravo ""livre"" da mesma maneira como o tratava antes. Essa crônica denuncia a manutenção da escravidão e do racismo no Brasil mesmo depois da Lei 13 de maio.
Observação interessantíssima: na crônica do dia 30 de março o narrador dá a ideia de uma moeda chamada "Cruzeiro" para o Brasil, que, na época, não tinha moeda cunhada. Curiosa como sou, fui pesquisar a origem do nome da moeda "cruzeiro" e descobri que foi justamente essa crônica que inspirou o nome!! Fiquei impressionada com o quanto Machado foi (e ainda é) influente não só na nossa cultura, mas até mesmo na nossa economia!!