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    O Estranho Misterioso -

    Mark Twain

    Axis Mundi
    1999
    214 páginas
    7h 8m
    ISBN-10: 8585554126
    Português Brasileiro
    4.4
    1067 avaliações
    Leram1451Lendo103Querem1702Relendo6Abandonos17Resenhas199
    Favoritos228Desejados1702Avaliaram1067

    A nova edição manteve o formato original, com o posfácio de Michel Sokoloff e apresentação de Carlos Heitor Cony. Ilustrações: detalhes das telas de Pieter Bruegel, o Velho. Geralmente considerado um escritor "juvenil" e um "humorista", Mark Twain recebeu elogios bastante enobrecedores. Segundo Ernest Hemingway, "toda a literatura moderna norte-americana nasceu com Huckleberry Finn". E William Faulkner chamava Mark Twain de "o pai do romance nos Estados Unidos". Se suas obras mais conhecidas - As aventuras de Tom Sawyer (1876) e Huckleberry Finn (1884) - conservam aquele estilo de prosa humorística, o mesmo já não se pode dizer de O estranho misterioso, que ele escreveu no fim da vida e que só foi publicado em 1916. Mais do que um romance de aventuras e totalmente diferente de suas obras "juvenis" e "humoristas", O estranho misterioso é um livro da maturidade, universalista, uma perturbadora indagação sobre a natureza do ser humano. Neste livro, Mark Twain nos leva para a Idade Média, numa pequena aldeia adormecida e apartada do mundo, onde surge um "estranho misterioso" que desafia a ordem estabelecida e se mostra capaz de realizar magias e proezas, ler mentes, ver passado e futuro, tornar-se invisível e mudar o destino das pessoas. Encontramos em O estranho misterioso uma ideia que C.G. Jung iria desenvolver: a realidade psicológica é a única que existe. Percebemos aqui a futura visão junguiana de que bem e mal são uma única coisa e estão ambos presentes em Deus, em Satã e na Natureza. Esta edição foi enriquecida com detalhes das telas de Pieter Bruegel (1525-1569) e com um ensaio de Michel Sokoloff sobre os estados alterados de consciência, o xamanismo e a influência de O estranho misterioso na moderna literatura iniciática.

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    Resenhas (199)Ver mais
    Régis Maz picture
    Régis Maz18/07/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Maravilhoso!!!

    O livro se passa na Áustria de 1590 numa pequena aldeia adormecida e apartada do mundo, onde ainda era idade média e três garotos (Theodore, Seppi e Nikolaus) são levados a enxergar a humanidade através dos olhos de um estranho misterioso chamado: Satã. O enredo que acompanhei aqui é completamente singular, inusitado e surpreendentemente fascinante. Se passa em uma época tão única da história humana, na idade das Trevas, da escuridão; onde a igreja dominava e pessoas eram acusadas e condenadas a fogueira até por respirar diferente. A desigualdade era patente, e nessa aldeia perdida no fim do mundo várias histórias vão se desenrolando em uma crescente tão irregular e única que somos pegos pelo redemoinho e levados a vários extremos em pouquíssimo tempo. Me sensibilizei muito com alguns dos acontecimentos. Em um dado momento Satã levou Theodore para ver como os donos da fábrica na França tratavam seus funcionários e isso me fez lembrar do documentário Carne e Osso, que assisti há duas semanas, e me veio lágrimas aos olhos novamente ao recordar dos corpos mutilados e deformados pelo trabalho pesado, repetitivo e prolongado que aquelas pessoas eram sujeitadas para no fim, serem cruelmente descartadas e abandonadas a própria sorte... E ali concordei com Satã; realmente o senso moral humano não passa de uma expressão que engrandece o orgulho de seres que se acham melhores que os animais, sem o ser. Mark Twain ataca o ego humano de forma tão didática e pessimista que é quase impossível discordar de tudo que ele diz. Ele analisa o bem e o mal e faz uma perturbadora investigação sobre a natureza humana. Esse livro é uma viagem pela história da existência do homem através do olhar cético e cansado de um autor que chegou ao final da vida completamente desiludido e decepcionado com a humanidade. Chegando a conclusão de que o bem e mal são uma única coisa e estão ambos presentes em Deus, em Satã e na Natureza. Com uma escrita envolvente e quase onírica Mark Twain consegue prender a atenção do leitor e arrastá-lo para um lugar de reflexão, onde ele desnuda todos os defeitos e contradições que a humanidade carrega desde sua criação. O autor com certeza mexeu comigo e me fez refletir com o inusitado personagem Satã... sem contar o final, completamente anômalo, que me fez ficar perdida em uma viagem mental tentando compreender todos os significados das últimas palavras de Satã para Theodore. Que leitura maravilhosa, fluída e intensa! Recomendo muitíssimo essa indagação carregada de descrença e desesperança cheio de verdades duras e perturbadoras que esse grande autor deixou como seu último livro.

    138 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 1067
    • 5 estrelas51%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas12%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
    Mark Twain profile picture

    Mark Twain

    Samuel Langhorn Clemens, mais conhecido como Mark Twain, foi um escritor estadunidense que nasceu na Florida, no dia 30 de novembro de 1835, e se criou às margens do rio Mississipi. Twain foi um aventureiro incansável que encontrou em sua própria vida a inspiração necessária para sua obra literária. Aos doze anos seu pai morreu, Mark largou os estudos e começou a trabalhar como aprendiz de topógrafo numa editora, onde começou a escrever seus primeiros artigos jornalísticos. Aos dezoito anos, saiu de casa para correr atrás de aventuras e fortuna. Trabalhou como tipógrafo, como aprendiz de piloto de uma embarcação movida a vapor, até que a Guerra da Secessão (1861) interrompeu sua carreira de piloto. Em seguida, partiu para o oeste, em direção às montanhas de Nevada, onde trabalhou em campos de mineração. Seu desejo de enriquecer o levou a procurar ouro, sem muitos resultados, fato que o obrigou a trabalhar como jornalista. Seu primeiro êxito literário aconteceu em 1865, com um conto de curta duração, chamado “A Célebre Rã Saltadora do Condado de Calaveras”, que apareceu num periódico já assinado como Mark Twain. Como jornalista, viajou a São Francisco, onde conheceu o escritor Bret Harte, que o incentivou a prosseguir na carreira literária. Foi a Polinésia e à Europa, cujas experiências foram relatadas no livro “Os inocentes no Estrangeiro” (1869). Depois de se casar, em 1870, com Olivia Langdon, estabeleceu-se em Connecticut. Seis anos depois, publicou a primeira novela que lhe daria fama: “As aventuras de Huckleberry Finn” (1882), obra também ambientada nas margens do rio Mississipi, mas não tão autobiográfica como “Tom Sawyer”, sua obra prima e uma das mais destacadas da literatura estadunidense. É preciso destacar também “Vida no Mississipi” (1883) que, além de uma novela, é uma esplêndida evocação do sul, não isenta de crítica, consequência do seu trabalho como piloto. Com um estilo popular e cheio de humor, Twain contrapõe estas obras no mundo idealizado da infância, inocente e ao mesmo tempo astuta, com uma concepção desencantada do homem adulto, do homem da era industrial, da era dourada, enganado pela moralidade e pela civilização. Contudo, nas obras que se seguiram, o sentido de humor e a ternura do mundo infantil dão lugar a um pessimismo e amargura cada vez mais evidentes, expressados com ironia e sarcasmo. Uma série de desgraças pessoais, como o falecimento de sua esposa e de uma de suas filhas, bem como falta de dinheiro, escureceram seus últimos anos de vida. Depois de publicar mais de 35 livros, Mark Twain faleceu em Redding, no dia 21 de abril de 1910.

    125 Livros
    385 Seguidores
    Flórida, Estados Unidos

    Mark Twain