Concluí Fundação e Terra, o quinto volume da saga da Fundação de Isaac Asimov, e foi, no mínimo, uma experiência frustrante. O livro dá sequência direta a Limites da Fundação e segue Golan Trevize, Janov Pelorat e Júbilo em uma jornada para encontrar a Terra, cujo paradeiro se perdeu no tempo. Asimov tentou aqui conectar seu universo da Fundação à série dos Robôs, mas a execução deixou muito a desejar. Se os três primeiros livros da saga são amplamente celebrados, os volumes posteriores sofrem uma queda visível de qualidade, e Fundação e Terra exemplifica bem isso.
A premissa tem potencial, mas os protagonistas sem carisma tornam a leitura arrastada. Trevize passa boa parte da trama irritado e agindo de forma arrogante, tratando mal os outros e se comportando como um troglodita quando mais precisava de tato. Júbilo, por sua vez, é uma defensora incansável (e muitas vezes exasperante) de Gaia, resultando em discussões repetitivas e previsíveis com Trevize. O único que realmente gostei de acompanhar foi Pelorat, cuja calma e curiosidade intelectual trouxeram um mínimo de leveza à narrativa.
A estrutura do livro também não ajuda. A história basicamente se resume a uma série de saltos espaciais entre planetas, onde cada parada fornece um novo fragmento de informação sobre a Terra. O problema é que essas paradas raramente trazem grandes reviravoltas ou momentos de tensão. Em vez disso, os personagens passam boa parte do tempo debatendo questões filosóficas, brigando entre si e calculando rotas, o que torna o ritmo cansativo.
A parte final em Solária é particularmente irritatante. Júbilo se recusa a destruir uma ameaça potencialmente perigosa e em outro planeta insiste em defender a existência até de um fungo só para contrariar Trevize. Além disso, seus poderes psíquicos parecem funcionar conforme a conveniência. Em um momento, ela consegue ler mentes, mas, diante de uma população inteira de um planeta fingindo hospitalidade antes de tentar matá-los, não percebe nada. Sério? Nenhum pensamento traiu os habitantes?
Após a visita a Solária, uma criança passa a fazer parte da trama, e Trevize a trata com extrema grosseria e impaciência. Seu preconceito em relação à identidade da criança é evidente, tornando as interações desconfortáveis e reforçando ainda mais sua falta de carisma. Em vez de abordar a situação com curiosidade ou compreensão, ele reage com irritação constante, como se a simples existência da criança fosse um incômodo para ele.
Asimov ainda se supera negativamente ao usar o corpo de uma mulher como agente transmissor de um vírus, um momento que me deixou estarrecida pela forma desajeitada e sem sentido como foi feito. Existem tantas maneiras de espalhar um vírus, mas é sério que a pobre mulher teve que dormir com Trevize para conseguir seu intento? Sem contar a cena em que o autor faz uma personagem verbalizar que Trevize é um deus do sexo, alimentando ainda mais a arrogância do protagonista.
Mas apesar dos problemas, a jornada teve seus momentos interessantes. Foi instigante revisitar dois planetas do Setor Sideral e descobrir como suas histórias se desenrolaram após os eventos da série dos Robôs. Além disso, a busca pela Terra manteve minha curiosidade em certo nível, ainda que o desfecho tenha sido decepcionante e sem o impacto esperado. O encontro com um personagem da série dos Robôs também acrescentou um elemento intrigante à trama, reforçando a tentativa de Asimov de unificar seus universos literários. No entanto, nem isso salva a história, pois a conclusão é anticlimática e deixa a sensação de que a trama foi mais uma longa digressão do que uma finalização satisfatória.
No geral, Fundação e Terra foi uma leitura decepcionante para mim. A falta de personagens cativantes, a previsibilidade do enredo e a repetição de conflitos minaram qualquer chance de o livro se aproximar da grandiosidade da trilogia original. Ainda restam dois volumes na cronologia: Prelúdio à Fundação e Origens da Fundação. O primeiro promete explorar a juventude de Hari Seldon, o que pode trazer um fôlego novo à saga, mas, depois dessa experiência, minhas expectativas diminuíram consideravelmente.
Agora, finalmente livre dessa jornada cansativa, posso retornar a um universo que realmente está me cativando. Deixo para trás a exploração racionalista de Asimov e sigo em direção à magia, à poesia e à riqueza da Terra-média e dos personagens de J.R.R. Tolkien.