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    As horas -

    Michael Cunningham

    Companhia das Letras
    1999
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788571649071
    Português Brasileiro
    4.3
    1060 avaliações
    Leram1629Lendo69Querem2190Relendo6Abandonos54Resenhas85
    Favoritos239Desejados2190Avaliaram1060

    As horas, prêmio Pulitzer de Literatura de 1999, pode ser definido como a saga da consciência de três mulheres - uma real, duas fictícias - em busca de algum tipo de inserção no mundo "normal", tendo como pano de fundo constante a presença palpável e inquietante da loucura e da morte. A personagem real, espécie de matriz iluminadora de todo o livro, é Virginia Woolf, cujo suicídio, em 1941, é narrado de forma comovente e realista logo nas primeiras páginas. Ela, mais Laura Brown, uma dona de casa angustiada num subúrbio de Los Angeles, em 1949, e Clarissa Vaughn, editora de sucesso na Manhattan de hoje, são as protagonistas deste livro apaixonante. Presenciamos, em capítulos alternados, um dia na vida de cada uma delas. O talento de Cunningham consegue encapsular todo o drama de suas existências. Virginia, num dia normal e suburbano de 1923, esforça-se por manter sob controle os sintomas da loucura e para redigir Mrs. Dalloway, romance que mantém com As horas uma habilidosa simbiose. Laura busca, em vão, ajustar- se ao seu triplo papel de mãe, esposa e dona de casa, confeccionando, ao lado do filho Ritchie, de três anos, um bolo de aniversário para o marido Dan. Acontece que tudo o que Laura mais deseja na vida é solidão e a companhia de Virginia Woolf, sob a forma de seu romance Mrs. Dalloway, que ela lê apaixonadamente. Clarissa, cinquentona e ex-hippie ainda atraente, bem casada com uma produtora de tevê, compra flores e organiza uma festa em homenagem a Richard, amigo gay e aidético terminal que acaba de ganhar um prêmio literário. O cruzamento surpreendente dessas três histórias, urdido com a mão imaginativa e experiente de Michael Cunningham, vai mergulhar o leitor numa das experiências mais comoventes da literatura contemporânea.

    Edições (6)

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    Resenhas (85)Ver mais
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    Daniel Boratto03/04/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Emocionante e reflexivo

    Eu adoro este livro. Li antes do filme ser produzido, e gostei muito da fiel adaptação cinematográfica um caso raro em que pode-se dizer que o filme é tão bom quanto o livro. Com certeza ele será mais apreciado depois da leitura de Mrs. Dalloway, por muitos considerado a obra prima de Virginia Woof. O que mais me impressiona é a engenhosidade com que as três histórias são conduzidas, de um dia decisivo na vida de três mulheres em épocas diferentes: - As três estão ocupadas com preparativos de uma recepção: Virginia vai receber a visita da irmã e sobrinhos para o chá; Laura vai preparar um bolo de aniversário para o marido; Clarissa vai homenagear Richard pelo prêmio literário recebido com um jantar. - As três mulheres têm receito de falhar nessas tarefas, e soma-se a isso um sentimento de fuga e inadequação com a situação atual que vivem: Virginia questiona sua literatura; Laura sua vida familiar; Clarissa também questiona seu relacionamento com sua companheira e com sua filha. - As três recebem visitas inesperadas, que de certa forma ajudam a deflagrar as crises, aparentemente por um motivo banal... Além, é claro, da onipresença de Virginia Woolf nas três histórias. Não concordo com outras resenhas que disseram ser este livro de difícil entendimento. Complexo sim, mas complicado não. Ainda mais que cada capítulo alternadamente corresponde a uma história, sempre nomeado pela protagonista em questão. Nesse ponto alias, o livro tem o entendimento mais fácil do que o filme, com suas idas e voltas no tempo. Me admirou a quantidade de leitores aqui no skoob que abandonaram a leitura, ainda mais de um livro pequeno, no sentido de poucas páginas! Será o tom reflexivo e intimista da narrativa? Sua melancolia? Os questionamentos da vida, dos momentos perdidos, dos relacionamentos em geral? Ou ainda os temas, pesados sem dúvida suicídios, abandono do lar, perda? Pois foram exatamente essas reflexões e impressões que mais me comoveram. Não sei não, mas acho que as pessoas estão mal acostumadas com o descartável, com o consumo fácil, que não leva a nenhuma reflexão, e tudo o que sai dessa linha é considerado difícil e deprimente. Uma pena. Sorte dos privilegiados que conseguem se comover e enxergar a beleza desse livro emocionante.

    75 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 1060
    • 5 estrelas49%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
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    Michael Cunningham

    Escritor norte-americano, ficou conhecido por seu <i>As horas</i>, que lhe rendeu os prêmios Pulitzer e PEN/Faulkner de Ficção, além de uma adaptação cinematográfica.

    14 Livros
    76 Seguidores
    Ohio, Estados Unidos

    Michael Cunningham