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    Mulheres, ditaduras e memórias - "Não imagine que precise ser triste para ser militante"

    Susel Oliveira da Rosa

    FAPESP
    2013
    326 páginas
    10h 52m
    ISBN-13: 9788564586451
    Português Brasileiro
    4.8
    5 avaliações
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    Mulheres, ditaduras e memórias é o resultado de três anos de pesquisas e entrevistas com Nilce Azevedo Cardoso, Danda Prado e Flávia Schilling: mulheres que produziram modos singulares de existência, durante e após a ditadura militar. Se Michel Foucault constatou que a política tomou a vida a seus cuidados, não deixou de lembrar também que essa mesma vida escapa aos mecanismos que tentam controlá-la. Nilce – que participou da Ação Popular, foi presa e torturada – investiu na potência política da amizade; Danda – que no exílio passou a fazer parte dos movimentos feministas – criou espaços para o feminismo libertário em terras brasileiras; Flávia – que durante os oito anos de prisão nos cárceres uruguaios manteve seu empenho com o mundo – teceu resistências possíveis e solidárias apesar das grades, muros e calabouços. Entrelaçando memória individual e memória coletiva, o livro aborda também as trajetórias de Delsy Gonçalves de Paula, Yara Gouvêa, Cícera e Jacilene, Vera Magalhães, Alba Mabel, Lia Maciel, “Oso Ogui”, “Anônima”, “Toddy” e tantas outras presentes direta ou indiretamente ao longo de suas páginas.

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    Loislei Alauany06/06/2026Resenhou um livro

    Mulheres, Ditaduras e Memórias

    Mulheres, Ditaduras e Memórias, de Susel Oliveira da Rosa, é um livro que nos convida a olhar para a História por uma perspectiva muitas vezes deixada em segundo plano: a experiência das mulheres durante os períodos de ditadura e repressão política. Mais do que apresentar datas, eventos ou disputas ideológicas, a autora dá voz a histórias humanas. Ao longo da obra, percebemos que os grandes acontecimentos políticos não foram vividos apenas por líderes, militares ou figuras públicas, mas também por mulheres que enfrentaram medos, perdas, perseguições e profundas transformações em suas vidas. Um dos aspectos mais marcantes do livro é a maneira como a memória é tratada. As lembranças apresentadas não surgem apenas como registros do passado, mas como elementos vivos que ajudam a compreender o presente. A autora mostra que recordar é também um ato de resistência. Ao compartilhar suas experiências, essas mulheres preservam histórias que poderiam ser esquecidas e ajudam a construir uma compreensão mais ampla da realidade vivida naquele período. A obra também rompe com a ideia de que a participação feminina na política foi secundária. Pelo contrário, muitas mulheres atuaram diretamente em movimentos sociais, organizações estudantis, grupos de resistência e iniciativas de defesa dos direitos humanos. Mesmo diante da violência e da repressão, encontraram formas de lutar por seus ideais e de manter viva a esperança de mudanças. Outro ponto que chama atenção é a diversidade das narrativas. Cada memória apresenta uma forma particular de vivenciar os acontecimentos, revelando que não existe uma única maneira de experimentar a história. Essa pluralidade torna a leitura mais rica e aproxima o leitor das pessoas retratadas. O subtítulo do livro, “Não imagine que precise ser triste para ser militante”, resume bem uma das mensagens mais interessantes da obra. A militância não aparece apenas associada ao sofrimento ou ao sacrifício. Ela também é apresentada como espaço de amizade, solidariedade, afeto e construção coletiva. Mesmo em tempos difíceis, havia espaço para sonhos, humor e esperança. Ao final da leitura, fica a sensação de que o livro não fala apenas sobre ditaduras ou sobre mulheres. Ele fala sobre memória, identidade, coragem e sobre a importância de preservar histórias que ajudam a compreender quem somos como sociedade. É uma leitura que humaniza a História e nos lembra que os grandes acontecimentos são sempre vividos por pessoas reais, com medos, desejos e expectativas muito semelhantes aos nossos.

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    Susel Oliveira da Rosa

    Possui Pós-doutorado (2011) e Doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2007), Mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2002) e Graduação em História pela Universidade Federal de Santa Maria (1998). Tem experiência na área de Ciências Humanas, com ênfase em História do Brasil (período da ditadura militar), trabalhando com os seguintes temas: mulheres, gênero, memórias, violência, biopolítica, estado de exceção, feminização da cultura, mundo moderno e contemporâneo, velocidade e tempo. Atualmente é Professora da UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pesquisadora e Professora Colaboradora do Departamento de História/Unicamp e presta Assessoria Científica para FAPESP. Também orienta Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) no Projeto EAD -Redefor (parceria entre Unicamp e Secretaria da Educação de São Paulo)

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Susel Oliveira da Rosa