Mulheres, Ditaduras e Memórias, de Susel Oliveira da Rosa, é um livro que nos convida a olhar para a História por uma perspectiva muitas vezes deixada em segundo plano: a experiência das mulheres durante os períodos de ditadura e repressão política.
Mais do que apresentar datas, eventos ou disputas ideológicas, a autora dá voz a histórias humanas. Ao longo da obra, percebemos que os grandes acontecimentos políticos não foram vividos apenas por líderes, militares ou figuras públicas, mas também por mulheres que enfrentaram medos, perdas, perseguições e profundas transformações em suas vidas.
Um dos aspectos mais marcantes do livro é a maneira como a memória é tratada. As lembranças apresentadas não surgem apenas como registros do passado, mas como elementos vivos que ajudam a compreender o presente. A autora mostra que recordar é também um ato de resistência. Ao compartilhar suas experiências, essas mulheres preservam histórias que poderiam ser esquecidas e ajudam a construir uma compreensão mais ampla da realidade vivida naquele período.
A obra também rompe com a ideia de que a participação feminina na política foi secundária. Pelo contrário, muitas mulheres atuaram diretamente em movimentos sociais, organizações estudantis, grupos de resistência e iniciativas de defesa dos direitos humanos. Mesmo diante da violência e da repressão, encontraram formas de lutar por seus ideais e de manter viva a esperança de mudanças.
Outro ponto que chama atenção é a diversidade das narrativas. Cada memória apresenta uma forma particular de vivenciar os acontecimentos, revelando que não existe uma única maneira de experimentar a história. Essa pluralidade torna a leitura mais rica e aproxima o leitor das pessoas retratadas.
O subtítulo do livro, “Não imagine que precise ser triste para ser militante”, resume bem uma das mensagens mais interessantes da obra. A militância não aparece apenas associada ao sofrimento ou ao sacrifício. Ela também é apresentada como espaço de amizade, solidariedade, afeto e construção coletiva. Mesmo em tempos difíceis, havia espaço para sonhos, humor e esperança.
Ao final da leitura, fica a sensação de que o livro não fala apenas sobre ditaduras ou sobre mulheres. Ele fala sobre memória, identidade, coragem e sobre a importância de preservar histórias que ajudam a compreender quem somos como sociedade. É uma leitura que humaniza a História e nos lembra que os grandes acontecimentos são sempre vividos por pessoas reais, com medos, desejos e expectativas muito semelhantes aos nossos.