Sou contra qualquer tipo de inicialização prévia a um autor, - em outras palavras, gosto de conhecer um autor, simplesmente, o lendo, crendo ser assim o melhor meio de se afeiçoar (ou desgostar) da escrita de alguém. Com Bernhard, o caso é um pouco diferente. Nesta resenha, eis os porquês.
O primeiro pressuposto é saber que ele não marca parágrafos (duma maneira que lembra Saramago e László Krasznahorkai). O segundo é que ele não marca capítulos. Terceiro, que seus diálogos são demarcados somente, e friso o somente, por, ao final da frase, ter a palavra *disse*. E quarto é que ele não poupa de repetição de vocabulário.
E nada dito no parágrafo anterior torna-o um autor ruim. Do contrário, Bernhard foi um dos mais geniais narradores da segunda metade do século passado.
Este livro, por sua vez, como todo bom livro, é inclassificável, quase indescritível; é sempre um desafio falar de bons livros, uma vez que a obra fala por si só e, assim, é impossível descrevê-la ou tentar explica-la, quiçá falar a respeito sobre ela; é única.
É uma leitura obrigatória a todos os fãs de submundos, de histórias que vão engordando, engordando, até subitamente explodirem. Não que seja uma leitura fácil; é fundamental nos afeiçoarmos pelo narrador (por mais pedante que o seja), e, agora que terminei o livro, parece que um ente querido se foi, o exato pressuposto que faz toda a história começar, Murnau, o narrador, perdendo um ente…, que não seria tão querido assim.
Favoritado.