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    O Pagador de Promessas -

    Dias Gomes

    Bertrand Brasil
    2010
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-10: 8528603172
    Português Brasileiro
    3.8
    7088 avaliações
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    Dias Gomes narra nesta peça de renome internacional o emocionante calvário do simplório Zé-do-Burro: para cumprir promessa feira a Iansan, pela cura de seu burro, ele divide seu sítio com os lavradores pobres e carrega pesada cruz de madeira no percurso de sete léguas, com o objetivo de depositá- la no interior da igreja de Santa bárbara, em Salvador. Iansan se confunde com Santa Bárbara na visão popular, mas por certo não é um mito cristão, motivo mais que suficiente para que as autoridades eclesiásticas se opusessem à entrada do herói no sagrado recinto. Zé-do-Burro não esmorece. Sua obstinaçào, sua fé, conduzem a um dos mais empolgantes desfechos do teatro contemporâneo - e universal. O Pagador de Promessas: serviu de tema ao filme do mesmo título, ganhandor da Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1962.

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    Jairo Silva04/08/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O pagador de promessas

    Em sintese a renomada peça O Pagador de Promessas narra as desventuras de Zé do Burro, que fez uma promessa em retribuição a cura de seu animal. Pelo restabelecimento do burro (Nicolau, que tinha alma de gente), Zé repartiu suas terras e caminhou mais de trezentos quilômetros com uma cruz aos ombros para deposita-lá no interior da igreja de Santa Bárbara. Contudo, pelo fato da promessa ter sido feita em um terreiro de umbanda consagrado a Iansã, orixá correspondente a Santa Bárbara, a entrada de Zé do Burro na igreja foi impedida pelo vigário, e depois referendada pelos fiéis e pela polícia. Nas palavras do autor no prefácio: o tema central da peça é o mito da liberdade capitalista, onde a burguesia não fornece ao Indivíduo os meios para exercício da liberdade, tornando-a ilusória. E, demais disso, traz o texto a intolerância religiosa e o sectarismo, que faz com que vejamos como inimigo aqueles que estão, de fato, ao nosso lado. Creio que o que torna essa peça fantástica é que todos nós temos nossas promessas a pagar e de alguma forma encontramos barreiras para concretizá-las a semelhança de Zé do Burro. Por fim, a título de curiosidade, destaco que "O pagador de promessas" serviu de tema ao filme do mesmo título, ganhador do importante Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1962. " (...) Para o vigário da paróquia de Santa Barbara, é Satanás disfarçado. Quem será afinal Zé do Burro? Um místico ou um agitador? O povo o olha com admiração e respeito, pelos caminhos por onde passa com sua cruz, mas o vigário expulsa-o do templo. No entanto, Zé do Burro está disposto a lutar até o fim."

    59 curtidas

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    Alfredo de Freitas Dias Gomes profile picture

    Alfredo de Freitas Dias Gomes

    Baiano de Salvador, Dias Gomes nasceu em 1922 e faleceu em 1999. Antes de enveredar para o universo da telenovela (onde já atuava sua mulher Janete Clair), Dias Gomes já tinha ganho notoriedade como autor teatral e projeção internacional graças à sua peça "O Pagador de Promessas" (1959). A peça, traduzida para mais de uma dúzia de idiomas, foi encenada em todo o mundo. Adaptada pelo próprio autor para o cinema, O Pagador de Promessas - dirigido por Anselmo Duarte - foi o 1º filme brasileiro indicado ao Oscar e recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962. Da mesma forma, "O Bem-Amado" foi a 1ª telenovela a cores da televisão brasileira. Em 1964, Dias Gomes foi demitido da Rádio Nacional, da qual era diretor-artístico - pelo Ato Institucional Nº 1 - enquanto O pagador de promessas estreava em Washington. A partir de então, participou de diversas manifestações contra a Censura e em defesa da liberdade de expressão. Ele próprio teve várias peças censuradas durante a vigência do regime militar (O berço do herói, A revolução dos beatos, O pagador de promessas, A invasão, Roque Santeiro, Vamos soltar os demônios ou Amor em campo minado). Fez parte do Conselho de Redação da Revista Civilização Brasileira desde seu lançamento, em 1965. Contratado, desde 1969, pela TV Globo, produziu inúmeras telenovelas, além de minisséries, seriados e especiais (telepeças). Apesar da censura, não interrompeu a produção teatral, e várias peças suas foram encenadas entre 1968 e 1980, destacando-se Dr. Getúlio, sua vida e sua glória (Vargas), em parceria com Ferreira Gullar, encenada no Teatro Leopoldina, de Porto Alegre, em 1969. Após seus primeiros sucessos na TV (Verão Vermelho e Assim na Terra como no Céu, no início dos anos 70), tornou-se um dos maiores autores da telenovela brasileira. Polêmico, criativo, sarcástico, conseguiu subverter a forma folhetinesca, desenvolvendo o drama e a comédia - sem os chavões tradicionais - com uma mistura de fantasia e realismo que caracterizam a sua obra teatral. São exemplos disso Bandeira Dois (1971), O Bem-Amado (1973), O Espigão (1974). Com Saramandaia, de 1976, criou o realismo fantástico na telenovela. Muito perseguido pela censura dos anos de arbítrio, conheceu um duro golpe ao ver sua novela Roque Santeiro impedida de ir ao ar em 1975. Por fim ela chegou aos lares brasileiros dez anos depois, tornando-se um dos maiores sucessos do gênero. A volta de Dias Gomes à dramaturgia teatral se dá em 1977, com As Primícias, "alegoria político-sexual" que vai à cena em 1979. No mesmo ano é lançado no Rio de Janeiro o seu primeiro musical de grande montagem, O Rei de Ramos, uma fábula cuja ação transcorre no mundo do jogo do bicho. Musicada por Francis Hime com letras de Chico Buarque, a peça é, como tantas outras de Dias Gomes, dirigida por Flávio Rangel. E em 1980 chega à cena Campeões do Mundo, texto no qual ele procede a um acerto de contas com a experiência histórica do regime autoritário, mostrando ao público as diferentes motivações dos jovens que optaram pela luta armada para se opor ao regime e brechtianamente estimulando o espectador a tirar suas próprias conclusões. Imortal da Academia Brasileira de Letras - eleito em 11 de abril de 1991, na sucessão de Adonias Filho e recebido pelo Acadêmico Jorge Amado em 16 de julho de 1991 - Dias Gomes morreu num acidente automobilístico em São Paulo em 18 de maio de 1999, com 76 anos.

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    Bahia, Brasil

    Alfredo de Freitas Dias Gomes