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    Encontros com Liz e outras histórias (Contos Russos Modernos (1900-1930)) -

    Leonid Dobýtchin

    Kalinka
    2009
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788561096014
    Português Brasileiro
    3.1
    13 avaliações
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    Favoritos0Desejados24Avaliaram13

    A Kalinka lança a coleção "Contos russos modernos (1900-1930)" com Leonid Dobýtchin, um dos expoentes do modernismo russo. Encontros com Liz e outras histórias reúne contos escritos entre 1923 e 31. Com uma linguagem inovadora, concisa e irônica, passando "do real ao grotescamente absurdo", e uma narração moderna, em planos justapostos, na qual muitas vezes não sabemos onde estamos – ora atropelados por um desfile, com estandartes batendo nos narizes, ora sozinhos sob uma meia-lua furtiva, pesada e opaca –, testemunhamos recortes do cotidiano do novo mundo soviético. Imagens se destacam, como "snapshots cinematográficos", e se espelham ao longo dos contos, que formam um corpo único, sem, contudo, perder-se a unidade interna de cada história: debaixo de nuvens de chuva ou sob um pôr-do-sol ameno, ao som de trombetas e rojões ou em completo silêncio, surgem marinheiros, loucos, mendigos, burocratas, beatas, camponeses, soldados, prostitutas – saindo das igrejas, indo às repartições, acotovelando-se nas passeatas, correndo aos funerais.

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    Flávia  picture
    Flávia 29/11/2025Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Soviético demais

    Eu sou uma grande fã de literatura russa, mas Leonid Dobýtchin não me cativou. Infelizmente achei o escritor soviético demais, cuja escrita, bastante panfletária, tende a deixar o leitor ocidental um pouco perdido. O livro é repleto de referências diretas e indiretas a Stalin e ao partido comunista. (ele foi inclusive, como muitos intelectuais e artistas da época, perseguido pelo ditador.) Os contos são breves e as personagens (em sua maioria são pessoas simples do povo ou marginalizadas: lavadeira, prostituta, trabalhadores, etc) achei um pouco rasas ou pouco memoráveis. Enfim, não gostei do livro. Não achei que a escrita minimalista de Dobýtchin funciona para os dias atuais. Mas o projeto gráfico é bacana, com pequenas ilustrações no início de cada conto.

    1 curtida

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    Leonid Dobýtchin profile picture

    Leonid Dobýtchin

    Leonid Dobýtchin/ Leonid Dobychin/ Леонид Иванович Добычин. O nome de Leonid Ivánovitch Dobýtchin(1894-1936), hoje aclamado mundialmente, desapareceu na década de 1930 e só foi redescoberto depois de 1990, junto com uma safra de escritores vanguardistas e modernistas russos obscurecida pela censura da era stalinista. Natural de Dvinsk (atual Daugavpils, Letônia), Leonid Dobýtchin enfrentou uma vida repleta de dificuldades. Trabalhou como estatístico em cidades do norte da Letônia e da Rússia, dividindo quartos de solteiro com a mãe, uma parteira, e os três irmãos. Apenas aos 40 anos ele pôde escrever em tempo integral, numa escrivaninha própria, quando recebeu da União dos Escritores Soviéticos um quarto num apartamento comunal em São Petersburgo. Sua morte, em 1936, permanece inexplicada. No momento em que Stálin declarou guerra ao formalismo, Dobýtchin foi acusado de ser o maior dos formalistas e politicamente míope, e por isso, talvez ainda agravado por sua homossexualidade e por sua figura voluntariosa, foi considerado um inimigo da classe. Ele defendeu-se das acusações e desapareceu no dia seguinte. Nunca mais ninguém o viu. A poética minimalista de Dobýtchin, muitas vezes comparada à de escritores como Joyce e Nabókov, expressa as contradições entre a nova iconografia que nascia com o totalitarismo soviético e os velhos símbolos de uma Rússia provinciana, mística e religiosa. Em vida publicou duas coletâneas de contos, Encontros com Liz (1927) e O retrato (1931) – reunidos em Encontros com Liz e outras histórias (Kalinka, 2009) – e o romance A Cidade N (1935). Escreveu mais dois livros, publicados anos depois de sua morte, Os Selvagens (1989) e O Clã do Churka (1993), este que recebeu o prêmio “Internacional Book of the Year” do Times Literary Supplement de 1994. - "No fim de 1987, um pouco depois de voltar de Estocolmo, onde fora receber o Nobel de literatura, Josef Bródski falava a um grupo de estudantes e professores da Universidade de Harvard. O escritor Arkádi Lvóv lembra o episódio no jornal: – Qual dos escritores... Bródski nem terminou de ouvir a pergunta: – Minha altivez é a poesia. – Mesmo assim, quem o senhor considera o maior escritor russo pós-revolucionário? Bródski refletiu. Ouviam-se vozes de todos os lados: – Bulgákov, Platónov, Bábel, Zóschenko... – Dobýtchin – proferiu Bródski rapidamente. – Leonid Dobýtchin." (Extraído de um artigo de V. Mechkóv, publicado em Gazeta da Cidade, Evpatória, Ucrânia, ago-out, 2007, nº 29-39) [KALINKA.com.br]

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