É isto um homem? -

    Primo Levi

    Rocco
    2013
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788532503466
    Português Brasileiro

    Relato autêntico da experiência de Primo Levi em campos de concentração, este livro é o depoimento pessoal de um situação impessoal. Deportado em 1944 para Auschwitz, Levi sobreviveu. Dos 50 judeus deportados com ele, no entanto, sobraram apenas três. O dia a dia de trabalhos pesados, humilhações e assassinatos encarregou-se de desumanizar e reduzir a algo inqualificável o que era antes um homem digno de tal nome. É isto um homem? não é, no entanto, apenas mais um livro sobre os horrores da Segunda Guerra. Tampouco uma obra encharcada de ódio, incapaz de fazer vingar qualquer racionalidade. Nela Primo Levi faz a apologia de uma das teorias que lhe eram mais caras. A de que "a ação humana só pode ser julgada individualmente, caso a caso". Perdidos naquela babel, os judeus encontravam como algozes homens igualmente indistinguíveis. Tão inacessíveis que se tornavam inodiáveis. Dotado de uma lucidez impressionante, Primo Levi compõe com elegância e disciplina um dos marcos da literatura de seu tempo.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo19/01/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O homem é o prisioneiro do homem

    Alguém já disse alguma vez e eu repito: a memória é um conjunto infinito de labirintos. É por isso que “É isto um homem?”, exemplar máximo da literatura de testemunho, é essencial. Afinal, como recordar em palavras um dos períodos mais violentos da história humana? O químico Primo Levi, judeu italiano sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, mostra neste relato impressionante a pequenez humana. Mostra como a liberdade, o bem maior que todos almejamos, pode ser usurpada diante de nossos olhos sem a menor possibilidade de reação. Ao narrar com tremendo esforço e invejável compromisso ético seus dias no inferno nazista, Levi oferece aos leitores, sem juízo de valor algum, uma reflexão sobre a humanidade. O que é o progresso, a ética, a justiça e a política em meio à desumanização? Em meio a um contexto de caos e extrema violência, em que o homem livre é inexistente, Levi consegue nos mostrar que esses conceitos não passam de palavras ou signos em desuso. Para além de relatar o cotidiano em Auschwitz, em analisar o declínio da humanidade perante seus próprios olhos, Levi deixa como legado em “É isto um homem?” a necessidade de preservar a memória. O testemunho de Levi é, portanto, a preservação do coletivo. O coletivo que sofreu, morreu e constantemente é alvo de uma tentativa de esquecimento, de apagamento. Porque a pergunta que dá título ao livro é um questionamento sem conclusão simples: o homem é o mesmo que matou milhares de judeus, mas também é o mesmo que sofreu com a perda da identidade nos campos de concentração nazistas. Portanto, o homem é uma incógnita. Após a leitura de “É isto um homem?”, me atrevo a pensar que a clássica frase de Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, merece uma ressignificação: o homem é o prisioneiro do homem. Porque Primo Levi foi - e ainda é - a voz de quem foi silenciado e a nós, meros leitores, basta escutá-lo.

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