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    Numa Terra Estranha -

    James Baldwin

    Círculo do Livro
    1976
    428 páginas
    14h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    448 avaliações
    Leram610Lendo81Querem1827Relendo1Abandonos33Resenhas56
    Favoritos4Desejados1827Avaliaram448

    Numa Terra Estranha, livro publicado pela primeira vez em 1963, é a história de homens e mulheres que lutam para alcançar a dignidade de viver, numa Nova Iorque fria, dividida, egoísta e sem lugar para o amor. No bairro negro do Harlem, a agressividade e o ódio do negro pelo branco que tambem o odeia são sentimentos renovados a cada dia. Baldwin, ele próprio estigmatizado pela sociedade, é um dos maiores escritores norte-americanos dos anos 60/70 e tornou-se conhecido por enfrentar, de frente e a fundo, temas considerados tabus pela maioria da sociedade à época.

    Edições (6)

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    Resenhas (56)Ver mais
    Flávia picture
    Flávia03/10/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    AQUI JAZ QUEM UM DIA FOI BLUES.

    “Terra Estranha” é mais um romance do aclamado romancista, ensaísta, dramaturgo, poeta e crítico social estadunidense James Arthur Baldwin, publicado em 1962, e ambientado nos anos 1950, mostrando o melhor e o pior da face de uma América liberal. A história tem como pano de fundo três cenários: O Harlem, o Greenwich Village (ambos bairros de Nova Iorque) e a França, onde seus personagens, um grupo pequeno de amigos, são despidos de suas máscaras, trazendo temas fortes como os conflitos amorosos, o ciúmes, os abusos físicos e psicológicos, o preconceito e a segregação racial que tanto afeta a saúde mental da população negra. Seu título original em inglês é “Another Country” (Outro País), e é exatamente essa a mensagem que esse livro nos passa: o quanto somos como uma ilha, isolados uns dos outros por causa do gênero, raça, cultura e nacionalidade, e não por uma solidão existencial que é inerente a nossa condição humana. E para que a minha ilha (ou país, como sugere o título do livro) possa se encontrar com a ilha que é o outro, é preciso um grande esforço para que a comunicação entre nós seja clara o suficiente (ou seja, falemos a mesma língua) para que a compreensão se dê. Ler “Terra Estranha” foi como ouvir um blues: pura poesia, intensidade, paixão e melancolia, e não posso negar que seu efeito em mim foi algumas vezes um tanto desconfortável, pois toda essa liberalidade contida nessas páginas causa um duro impacto quando se depara com os valores tradicionais que residem em mim. Por isso mesmo é que alerto que esse é um romance de momentos viscerais, onde a escrita, o sexo, as conversas, as descrições das ruas de Nova Iorque ou da França pulsam nessas páginas como órgãos tão cheios de vida, traduzidos nesses diálogos encharcados pela violência dos segredos que se recusam a ser revelados. Aqui, o afeto atravessa cada um de nós ao acompanharmos essa busca desordenada pelo amor (seja do outro ou por si mesmo ). James Baldwin é uma experiência única, mas é preciso compreender que seus discursos nascem de uma alma liberal, que nos faz lembrar de todos os artistas (sejam eles músicos, ou escritores) que fizeram seus nomes e deixaram sua arte baseada em momentos como aqueles vivenciados em épocas como a do Woodstock.

    131 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 448
    • 5 estrelas47%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    James Baldwin profile picture

    James Baldwin

    James Baldwin foi o primeiro escritor a dizer aos brancos o que os negros americanos pensavam e sentiam. Chegou no auge de sua fama durante a luta dos direitos civis no início da década de 60. Tornou-se mais famosos pelos ensaios do que pelos romances e peças teatrais, mas apesar disso queria se tornar um ficcionista, considerando seus ensaios um trabalho menor. Nos primeiros livros estão as melhores amostras do seu talento: Go tell it on the mountain (1953), Giovanni's room (1956) e Another country (1962). os dois últimos tornaram-no famoso como o pioneiro de uma nova liberdade sexual. Apesar de escrever e estudar sobre as correspondências entre medos sexuais e raciais, Baldwin era basicamente um puritano que professava a primazia do autoconhecimento em todas as relações humanas.

    34 Livros
    195 Seguidores
    Nova Iorque, Estados Unidos

    James Baldwin