Terra estranha -

    James Baldwin

    Companhia das Letras
    2018
    568 páginas
    18h 56m
    ISBN-13: 9788535931389
    Português Brasileiro

    Tendo como pano de fundo a agitada cena musical de Nova York dos anos 1950, Terra estranha é um retrato franco sobre bissexualidade e relações inter-raciais, publicado em uma época em que esses assuntos eram tabu. Este romance de fôlego, publicado em 1962, tem como pano de fundo os clubes de jazz de Greenwich Village, em Nova York, na década de 1950. Rufus, um baterista negro em decadência, se envolve com Leona, uma mulher branca nascida no sul dos Estados Unidos. Dessa relação complexa em sua origem, desdobram-se temas caros a James Baldwin, como raça, nacionalismo, identidade, depressão e bissexualidade. Em Terra estranha, o celebrado autor de O quarto de Giovanni constrói uma obra comovente, violenta e apaixonada, cujos personagens tentam reverter a todo custo as barreiras da segregação racial e das convenções burguesas em busca da felicidade e de si mesmos.

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    Flávia picture
    Flávia03/10/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    AQUI JAZ QUEM UM DIA FOI BLUES.

    “Terra Estranha” é mais um romance do aclamado romancista, ensaísta, dramaturgo, poeta e crítico social estadunidense James Arthur Baldwin, publicado em 1962, e ambientado nos anos 1950, mostrando o melhor e o pior da face de uma América liberal. A história tem como pano de fundo três cenários: O Harlem, o Greenwich Village (ambos bairros de Nova Iorque) e a França, onde seus personagens, um grupo pequeno de amigos, são despidos de suas máscaras, trazendo temas fortes como os conflitos amorosos, o ciúmes, os abusos físicos e psicológicos, o preconceito e a segregação racial que tanto afeta a saúde mental da população negra. Seu título original em inglês é “Another Country” (Outro País), e é exatamente essa a mensagem que esse livro nos passa: o quanto somos como uma ilha, isolados uns dos outros por causa do gênero, raça, cultura e nacionalidade, e não por uma solidão existencial que é inerente a nossa condição humana. E para que a minha ilha (ou país, como sugere o título do livro) possa se encontrar com a ilha que é o outro, é preciso um grande esforço para que a comunicação entre nós seja clara o suficiente (ou seja, falemos a mesma língua) para que a compreensão se dê. Ler “Terra Estranha” foi como ouvir um blues: pura poesia, intensidade, paixão e melancolia, e não posso negar que seu efeito em mim foi algumas vezes um tanto desconfortável, pois toda essa liberalidade contida nessas páginas causa um duro impacto quando se depara com os valores tradicionais que residem em mim. Por isso mesmo é que alerto que esse é um romance de momentos viscerais, onde a escrita, o sexo, as conversas, as descrições das ruas de Nova Iorque ou da França pulsam nessas páginas como órgãos tão cheios de vida, traduzidos nesses diálogos encharcados pela violência dos segredos que se recusam a ser revelados. Aqui, o afeto atravessa cada um de nós ao acompanharmos essa busca desordenada pelo amor (seja do outro ou por si mesmo ). James Baldwin é uma experiência única, mas é preciso compreender que seus discursos nascem de uma alma liberal, que nos faz lembrar de todos os artistas (sejam eles músicos, ou escritores) que fizeram seus nomes e deixaram sua arte baseada em momentos como aqueles vivenciados em épocas como a do Woodstock.

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