Este é o primeiro livro da série "Cartas de um terráqueo ao planeta Brasil". Resumidamente, ocorreu o seguinte: o professor Olavo de Carvalho foi enviado pelo "Diário do Comércio" para os EUA, onde passou a atuar como correspondente internacional para o referido periódico. De lá, o professor escrevia artigos com análise dos fatos mais importantes ocorridos na época, fazendo uso da sua inteligência voraz e da sua profundidade filosófica. Diante da riqueza do conteúdo, decidiram reunir os diversos artigos e editá-los em forma de livros - o que se mostrou uma decisão primorosa!
Este primeiro livro corresponde ao segundo semestre do ano de 2005. E quanta coisa ocorreu neste curto período: Guerra do Iraque, furacão Katrina, escândalo do Mensalão, intrigas internacionais envolvendo a China... Felizes os que tiveram acesso a estes artigos na época de sua publicação.
Sim, porque o autor demonstra - de uma maneira bastante clara - que as notícias debatidas em todo o mundo sempre chegam distorcidas no Brasil. Apenas para citar um dos diversos exemplos do livro, basta analisar a tragédia do "Furacão Katrina", em que morreram mais de mil americanos. Muitas das mortes decorreram da falta de organização e rapidez no resgate aos sobreviventes. Era fato público e notório, lá nos EUA, que os culpados foram os governantes locais, que impediram obstinadamente a ajuda do presidente (que era do partido adversário). Tal birra política atrasou em muito as buscas e ocasionou muitas mortes facilmente evitáveis. Como foi noticiado no Brasil? "Centenas de americanos morrem por demora do presidente no auxílio às vítimas".
O mais trágico de tudo é que o exemplo se repetiu incansavelmente, conforme demonstrado pelo autor. As análises sobre o jornalismo e a cultura do Brasil foram feitos de maneira assustadoramente exatas. Talvez seja ainda mais verdadeiro para os dias atuais. A sensação nítida do leitor é a de que o Brasil se desprendeu da terra e está em outro lugar, outra atmosfera. Nossa política foi tomada por estelionatários; nosso jornalismo está coberto de meros repetidores de chavões; nossas faculdades se tornaram centros de panfletagem ideológica. E tudo isto ficou mais e mais claro a cada artigo.
É evidente que a fraude e o mau-caratismo ideológico existe em qualquer lugar do mundo. Porém, a tragédia parece ser mais cômica e bizarra neste nosso pobre país, em que o senso comum e o politicamente correto se afastaram, cada vez mais, da realidade da vida. Por essas e por outras, foi importante que alguém lá da terra (a terra real) nos dissesse o que estava de fato ocorrendo no mundo.