Antologia Poética -

    Cecília Meireles

    Global
    2013
    335 páginas
    11h 10m
    ISBN-13: 9788526017788
    Português Brasileiro

    A Global Editora acaba de lançar a Antologia poética Cecília Meireles, coletânea publicada pela primeira vez em 1963, um ano antes de sua morte, e a única cujos textos foram escolhidos pela própria poetisa. Composta por poemas retirados de diversos livros seus, inclusive alguns textos inéditos — os quais seriam publicados no livro Solombra, que na ocasião da seleção estava no prelo —, a obra revela, assim, um precioso autorretrato da escritora. A lírica de Cecília Meireles possui atributos ímpares: uma linguagem excepcionalmente harmoniosa e de grande comunicabilidade, que apresenta ao leitor uma diversidade de temas que vão desde o louvor às pequenas maravilhas da vida até os questionamentos sobre o destino do mundo e da humanidade. A seleta é composta por poemas de todos os seus livros fundamentais. Além de Viagem, são apresentados os mais significativos versos de Vaga música, Mar absoluto, Retrato natural, Amor em Leonoreta, Doze noturnos da Holanda, O aeronauta, Pequeno oratório de Santa Clara, Canções, Metal rosicler, Poemas escritos na Índia e uma seleção do Romanceiro da Inconfidência — que, segundo a própria autora, foram difíceis de ser escolhidos dadas as suas proporções originais e a extensão de cada poema. Adicionados a esses textos estão os poemas inéditos que seriam publicados em Solombra.

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    Jairo Silva05/08/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Autorretrato

    Esta Antologia Poética publicada em 1963, apresenta a primeira e única coletânea de poesias selecionadas pela própria autora. Compõe a obra poemas extraídos de 14 livros, sendo alguns desses famosos, outros inéditos e alguns não tão mencionados. Ler uma antologia é a oportunidade de mergulhar no universo pessoal do artista, já que os textos são aqueles que o autor mais prestigia e, por certo, que melhor representam a emoção pretendida nas palavras. ⚠️✒️ Retrato Eu não tinha este rosto de hoje, Assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, Tão paradas e frias e mortas; Eu não tinha este coração Que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, Tão simples, tão certa, tão fácil: — Em que espelho ficou perdida a minha face? Interlúdio As palavras estão muito ditas e o mundo muito pensado. Fico ao teu lado. Não me digas que há futuro nem passado. Deixa o presente — claro muro sem coisas escritas. Deixa o presente. Não fales, Não me expliques o presente, pois é tudo demasiado. Em águas de eternamente, o cometa dos meus males afunda, desarvorado. Fico ao teu lado. 🚸 Por fim, um exemplar da poesia voltada para o público infantil. Ou isto ou aquilo Ou isto ou aquilo Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva! Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares. É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares! Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo… e vivo escolhendo o dia inteiro! Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranquilo. Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.

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