"Eu tinha vinte e nove anos. Dentro de seis meses, diria adeus à casa dos vinte. Uma década vazia. Nada do que eu conquistara tinha valor, nada do que eu realizada tinha sentido. Tédio era tudo que eu obtivera."
A mistura entre surrealismo, realidade, a vida das pessoas, tudo narrado de forma simples e com simbolismo que emociona pela capacidade de traduzir os sentimentos humanos. Haruki Murakami provoca tudo isso em “Caçando Carneiros” livro publicado em 1982 por esse consagrado escritor japonês.
O livro narrado em primeira pessoa conta a história de um publicitário (sem nome) e seus dilemas de homem jovem prestes a completar 30 anos. Vivendo um divórcio inesperado ele tem que lhe dar com a vida de solteiro novamente. Ele, que tem uma vida muito monótona, acaba por ser transformado por um acontecimento que o faz partir para uma longa jornada que envolve a busca, na gelada ilha de Hokkaido, por um carneiro com a marca de estrela, magnatas japoneses, realismo mágico em meio a realidade e a beleza da natureza.
Na ilha ele encontra o Sr. Carneiro, uma mistura de homem com carneiro, além de viver um romance que o faz a repensar a sua forma de viver e expressar suas emoções. Uma história sobre amor e amizade nos tempos em que as relações tendem a se desgastar. O que realmente impressiona em Murakami é a capacidade de descrever a realidade, os ambientes, transportando o leitor para uma mágica que mistura emoções, ficção, fantasia e realidade.
A habilidade que Murakami tem em traduzir emoções apresentando alegorias de um realismo mágico comum, é algo muito fascinante. Neste livro também encontramos a temática da vida e da morte, de forma simbólica, numa espécie de alegoria da despedida da juventude. As relações entre os jovens num universo próprio, a forma de enxergar as diferentes versões de nós mesmo numa mistura entre o passado e o presente. Tudo é muito bem trabalhado pelo autor, com muita simplicidade e muita verdade. Murakami nos faz enxergar que a vida é muito mais do que podemos ver. Amo demais!