As aventuras de um "pagador-de-promessas" na festa religiosa máxima de Belém, o Círio de Nazaré. A linguagem viva da Amazônia em uma extraordinária novela e vários contos que nos colocam, pela primeira vez em nossa literatura, do "lado-de-dentro" do vasto verde vagomundo que recém-começa a ser descoberto pelos próprios brasileiros.
O Carro dos Milagres -
Benedicto Monteiro
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“O Carro dos Milagres” apresenta o caboclo que chega à cidade grande e se impressiona com a quantidade de gente, a magnitude da Basílica e a força da fé. Os três capítulos do conto “O Carro dos Milagres” -pertencente ao livro de mesmo nome- de Benedicto Monteiro retratam uma das festas mais grandiosas do mundo: o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Essa tradição popular e religiosa é uma marca do povo paraense, independentemente de sua religião. Na referida obra faz-se presente a linguagem popular, os neologismos, as gírias caboclas e o próprio caboclo. Percebe-se a mistura entre o profano e o religioso, a crença em superstições e na naturalidade com que esses elementos são conciliados. Qualquer um de nós, leitores paraenses- por nascimento ou opção- encontra-se nas páginas de “O Carro dos Milagres”. Vemo-nos nas situações apresentadas pelo autor e cada passo dado pela nossa personagem principal é, talvez, a lembrança de algum momento vivido durante a procissão. A promessa feita à Virgem de Nazaré para salvar nossa protagonista da morte em alto-mar é o motivo que á leva a acompanhar a procissão e deixar um pequeno barco em agradecimento à Santa, no carro dos milagres. Para ele, cumprir a promessa torna-se algo muito difícil, ainda mais depois de uns goles de cachaça tomados juntamente com seu compadre. Em algumas parte do conto, percebe-se a auto-análise da personagem, reconhecendo seus erros, porém, como os demais peregrinos usa o discurso de que todas as outras pessoas também fazem a mesma coisa. Benedicto Monteiro, de forma simples mas direta, também critica a postura da Igreja, a hipocrisia com que trata assuntos que possam manchar a imagem da pureza dessa instituição. O uso de figuras de linguagem, como a metonímia e a metáfora, é recorrente, por isso, apesar do autor utilizar uma linguagem coloquial, é necessário que tenhamos uma leitura cuidadosa e atenta da obra para melhor captarmos sua essência. O conto é uma leitura encantadora e mística que faz com que tenhamos um encontro com nossa cultura e que nos conduz a uma aproximação ainda maior com a realidade paraense, desfrutando assim de momentos prazerosos e encantadores
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