O maior desejo de Sra. Cash é ser considerada a melhor anfitriã de Newport, e para isso ela não mede esforços para que suas festas sejam indecentemente luxuosas e cheias de surpresas que possam maravilhar seus convidados.
Na recepção de despedida da temporada de 1893, a Sra. Cash pretende surpreender mais uma vez ao enorme público que comparece à sua residência com um espetáculo grandioso de luzes e cores, quando algo inesperado modifica sua aparência (deve ter sido a maldição dos beija-flores!), mas nada que a impeça de seguir para a Europa em busca de um nobre para casar-se com sua filha Cora.
Nesse ínterim, Cora tem seus planos frustrados ao ver rejeitada a sua proposta de casamento, feita de maneira intempestiva ao jovem Teddy Van Der Leyden, filho de uma das famílias mais tradicionais americana, que prefere se dedicar à pintura que ser esmagado pelo peso da fortuna da família Cash.
Portanto, mãe e filha embarcam para o velho mundo onde esperam que um título possa consolidar a instável posição social que os Cash desfrutam na América, apesar de sua imensa riqueza.
Cora Cash é linda, muito jovem, culta, inteligente e, absolutamente diferente das beldades inglesas, o que faz com que essa moça conquiste um séquito de admiradores, sem sentir-se atraída por nenhum. Até que um dia, ao participar de uma caçada, Cora sofre um acidente tentando fugir de alguém particularmente desagradável.
Cora Cash é salva por Ivo, um duque falido, porém misterioso e muito sedutor, que não perde tempo e a pede em casamento assim que nossa protagonista se recupera.
E, é aí que começa a encrenca, aliás, como a maioria dos casamentos, não é mesmo?
De repente, Cora se vê jogada em um mundo de intrigas e invejas. Onde, revestida de maneiras gentis e palavras ácidas, a hipocrisia impera. Onde cada passo poderia levá-la à beira do abismo.
A jovem duquesa não está protegida nem mesmo em sua casa, onde os criados não a respeitam e a desafiam diariamente. Apenas, Bertha sua criada e quase amiga é seu porto mais ou menos seguro.
Eu adorei cada página mal revisada desse livro. É uma pena que os livros estejam sendo tratados tão desrespeitosamente pelas editoras. Sou do tempo que ler era a garantia de melhorarmos nosso linguajar e idioma. Porém, posso assegurar que apesar dos tropeços o livro é muito bom.
Não que o casal seja fantástico, longe disso. Mas, existe um intenso trabalho de pesquisa, com informações interessantes, sem contar que a história flui sem nenhum contratempo ou longos parágrafos entediantes. Muito pelo contrário!
Os cenários são sedutores, o vestuário é luxuoso e muito bem descrito, inclusive com modelos dos grandes estilista da época, já que nossa heroína é considerada uma das mulheres mais ricas do mundo, o que não lhe garante a felicidade sem tropeços, ou a sensação de estar protegida de mulheres treinadas desde o nascimento para calibrar suas ações de acordo com suas posições sociais.
Contudo, nossa Duquesa não havia sido educada para ser perseguida e humilhada, pois Cora é o prêmio, porém o prazer e a dor de estar apaixonada faz com que ela perca o controle de sua vida e de suas ações durante pouco tempo, felizmente.
Mas, infelizmente, não simpatizei com o Duque. E, olha que sou louca por duques, mas Ivo não estava à altura de Cora, assim como Camden não está à altura de Gigi (Um Amor Quase Perfeito/Sherry Thomas) e nem Clayton à altura de Whitney (Whitney, Meu Amor/Judith McNaught), só para citar alguns exemplos.
Para mim, leitores, foi imperdoável o abandono imposto pelo duque à nossa ingênua Cora, como castigo por mais uma das armadilhas dessa sociedade corrompida e cruel. Sem contar que durante todo o tempo esse duque egoísta e egocêntrico sabia do que se tratava. E, quando todos os segredos sujos e mentiras abjetas são revelados, minha opinião sobre o duque piorou bastante. Mais uma vez a protagonista esteve muito superior ao seu par.
Foi o primeiro livro que li de Daisy Goodwin e fiquei com a impressão que mais que um romance o que eu tive o prazer de ler, foi um livro sobre a sociedade inglesa, no final do século XIX, nos últimos anos do reinado da Rainha Vitória, com seus hábitos, figuras da sociedade, incluindo seu filho e sucessor, artistas, além dos pratos servidos nos grandes eventos sociais.
Como de hábito, ao procurar pelos fatos mais importantes no mundo em 1893, verifiquei que a Nova Zelândia concedeu o voto feminino, sendo o primeiro país a fazê-lo. Além de ter sido exposto pela primeira vez O Grito - o quadro mais famoso do pintor Edvard Munch, e um dos mais caros já leiloados. E, não podemos esquecer que foi o ano de criação do produto Pepsi, o refrigerante que até hoje faz parte dos nossos dias, se bem que eu prefiro Coca-Cola!