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    The Transmigration of Timothy Archer (Valis #3) -

    Philip K. Dick

    Mariner Books
    2009
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9780547572604
    4
    5 avaliações
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    The final book in Philip K. Dick’s VALIS trilogy, The Transmigration of Timothy Archer brings the author’s search for the identity and nature of God to a close. The novel follows Bishop Timothy Archer as he travels to Israel, ostensibly to examine ancient scrolls bearing the words of Christ. But, more importantly, this leads him to examine the decisions he made during his life and how they may have contributed to the suicide of his mistress and son. This introspective book is one of Dick’s most philosophical and literary, delving into the mysteries of religion and of faith itself. As one of Dick’s final works, it also provides unique insight into the mind of a genius, whose work was still in the process of maturing at the time of his death.

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    Bruno Alves da Silva picture
    Bruno Alves da Silva14/04/2014Resenhou um livro
    3 (Bom)

    The Transmigration of Timothy Archer

    O último livro da “trilogia VALIS” não era originalmente o planejado. Infelizmente, Philip K. Dick faleceu de um derrame antes de dar continuidade ao seu rascunho do que planejava ser o último volume do trio, <i>The Owl in Daylight</i>. Entretanto, seu último livro escrito - <b>The Transmigration of Timothy Archer</b> – possuía uma certa ligação simbólica e temática com os dois anteriores, a despeito de não ser exatamente conectado. Enquanto <i>VALIS</i> e <i>The Divine Invasion</i> não possuíam personagens em comum, o tema e elementos divididos tinhham uma conexão muito mais forte, o que acaba prejudicando este último caso ele venha a ser visto como parte de uma série. Mas <b>Transmigration</b> acaba sendo um livro que se segura muito bem sozinho, e é de uma lucidez enorme se comparado aos seus antecessores. Este livro não é ficção científica, tampouco ficção especulativa; não há quaisquer elementos que não possam ser considerados parte da nossa realidade sensível. Uma América distópica, tão popular na obra completa de Dick, aqui é apenas os Estados Unidos no ano da morte de John Lennon. O livro é em sua maior parte composto de reflexões e conversas entre a protagonista Angel Archer e seus parentes e colegas próximos; seu marido Jeff, seu sogro o bispo Timothy Archer e a amante deste, Kirsten. Timothy, baseado no bispo episcopal da Califórnia Jim Pike (que PKD conheceu pessoalmente durante a sua vida), é um homem ilustrado e progressista que começa a ter uma crise de fé após a descoberta (fictícia) de documentos pré-cristãos que possuem a Logia de Cristo, seus ensinamentos, dois séculos antes da época. Daí que Cristo não seria o messias, mas apenas um professor de ensinamentos anteriores a ele. Daí, crise de fé. E daí inúmeras referências à literatura, filosofia, teologia, música clássica, academicismo, e mais. Angel Archer e seu marido são como “estudantes profissionais”, de mente universitária e neste meio habitam, permanecendo neste meio científico e abstrato. É interessante observar suas interações com o filho de Kirsten, Bill, que devido a sua esquizofrenia é incapaz da faculdade de abstração. <i>The trouble with being educated is that it takes a long time; it uses up the better part of your life and when you are finished what you know is that you would have benefited more by going into banking. [...] There I go: Berkeley intellectual, viewing everything in terms of culture, of opera, of novel, oratorio and poem. Not to mention play.</i> A voz da narradora é percpetivelmente crítica e irônica. Dick parece ter escolhido construir Angel Archer para provar a si mesmo e aos outros que conseguia construir uma narradora mulher convincente (uma coisa que os críticos sempre teriam atacado em sua obra). Angel é crível e humana, com suas dúvidas, arrependimentos, inteligência e proposições. Não é muito diferente das demais vozes narrativas usadas por Dick, mas talvez esta seja parte da ideia. Fez dela um personagem como os seus. <i>In California you buy enlightenment the way you buy peas at the supermarket, by size and by weight. I’d like four pounds of enlightenment, I said to myself. No, better make that ten pounds. I’m really running short.</i> O livro é denso, mas a voz é agradável de se ler. Como <i>VALIS</i>, parte da carga filosófica de Dick deixa a leitura mais devagar, assim como a falta de acontecimentos e suspense. Sabemos o desfecho do começo, e não há o gancho que torne a leitura algo compulsório; <b>Transmigration</b> não é um “page-turner”. Não é mesmo ficção especulativa – todo o elemento metafísico-sobrenatural depende da interpretação do leitor sobre os acontecimentos e personagens. Haverá uma experiência religiosa, como alguns aceditam, ou vigora o ceticismo e não há nada além de wishful thinking e alucinações? Mesmo os elementos mais fantasiosos (videntes, transmigração, ascensão de consciência) permeiam esta borda entre o natural e o sobrenatural, algo como o “fantástico” de Todorov. Como apropriado para assuntos religiosos e esotéricos, não podemos afirmar com certeza. A despeito de tudo isso, continua a ser uma leitura instigante e lúcida. Talvez seja o mais reconhecidamente “literário” da trilogia VALIS e, por ser o último escrito, publicado postumamente, deixou a alguns críticos e amigos a impressão de alívio: “ufa; Dick não morreu maluco”. Mas fica a jamais solucionável dúvida do que seria, afinal, o desfecho planejado para <i>The Owl in Daylight</i>, no que a “trilogia” (por falta de um termo melhor) resultaria. E, até mesmo, se Dick pararia no terceiro livro. A leitura, não só deste mas dos três livros, dá um bom mas contraditório insight de quem e como teria sido Philip K. Dick. Com a sua prematura morte, ficamos com os documentos, as autobiografias, as entrevistas e, claro, seus livros. Mas sua mente é um mistério fascinante, seu conhecimento (assim como o do próprio Timothy Archer) parece ilimitado e anedótico, e sua pessoa, uma figura única.

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