Cartas de Amor de uma Freira Portuguesa -

    Mariana Alcoforado

    Editora Núcleo
    1669
    41 páginas
    1h 22m
    ISBN-1: 0
    Português

    Obra que reúne as cartas de amor (presumivelmente verdadeiras, pois a história é verídica) de uma jovem freira portuguesa do século XVII, dirigidas ao seu amante francês que a abandonou no convento. Cessa, pobre Mariana, cessa de te mortificar em vão, e de procurar um amante que não voltarás a ver, que atravessou mares para te fugir, que está em França rodeado de prazeres, que não pensa um só instante nas tuas mágoas, que dispensa todo este arrebatamento e nem sequer sabe agradecer-to. Mariana Alcoforado é a personagem e presumível autora das cinco “Lettres Portugaises” (As Cartas Portuguesas – titulo com que foram publicadas 1669, em França) dirigidas a Noel Bouton de Chamilly, conde de Saint-Léger, oficial francês que lutou em solo português sob as ordens de Frederico de Schomberg, durante a Guerra da Restauração. Tais cartas acabariam por se tornar num clássico da literatura universal por anteciparem o movimento literário romântico e serviram de inspiração a La Bruyère, Saint-Simon, Saint-Beuve e muitos outros autores românticos

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    Ana Sá picture
    Ana Sá17/08/2022Resenhou um livro
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    Quem nunca...

    Uma freira portuguesa do século XVII escreve cartas de amor (ou melhor, de sofrimento amoroso) para um soldado francês. Traduzindo pro século XXI, podemos dizer que a narradora (suposta autora) já tinha o "não" do boy lixo, mas decidiu ir atrás da humilhação. É verdade que, apesar de bonitas e interessantes, as cartas podem cansar um pouco pela repetição e dramaticidade (justificáveis pelo contexto da obra), entretanto, a quinta e última correspondência coloca, a meu ver, a cereja no topo de um livro que, pela premissa, já merecia a leitura. Se temos em mente o século em que foram escritas, passa a ser preciso reconhecer a complexidade, sobretudo psicológica, com que é apresentada uma mulher que, a princípio, poderia ser mais uma apaixonada sem causa. Eu ri em alguns momentos do quanto uma pessoa rejeitada pode cair no ridículo. Já em outras passagens, senti pulsar forte a minha empatia por essa mulher abandonada. No final, fica a reflexão: Num passado distante ou num passado recente, quem nunca passou uma vergonha dessas no débito ou no crédito, não é?

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