Humano, demasiado humano.
Grande obra. Seu grande mérito está em sua estrutura narrativa, em sua riqueza psicológica, não só do personagem mas no que diz respeito a todo o jogo de relações sociais e suas contradições, nos mais mínimos detalhes, vícios e manias, na "psicopatologia da vida cotidiana", pra citar Joyce. Toda a história é contada pelo prisma narrativo de Zeno, que é o narrador personagem. Ele busca se analisar, valendo destacar que tudo é contado anos depois do ocorrido, o que naturalmente acarreta maiores distorções e valorações, para além de simples perspectivismos. Zeno tenta se entender a partir de suas relações, do que ele consegue colocar em palavras e muitas vezes não entende bem os motivos de suas ações acometidas por impulsos, mas por outro lado expõe brilhantemente suas contradições, fugas e autoenganos. O relato possui seu natural caráter de incerteza, exigindo que o leitor seja mais ativo durante toda a leitura. É realmente brilhante. Através de suas relações Zeno também faz uma grande exposição dos absurdos e hipocrisias da vida burguesa, da qual faz parte. Ele é de fato humano, demasiado humano.








