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    Maravilhas do Conto Árabe - Árabe

    Jamil Almansur Haddad

    Cultrix
    1962
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.5
    2 avaliações
    Leram3Lendo0Querem31Relendo0Abandonos0Resenhas2
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    Maravilhas do Conto Árabe -- Seleção e Tradução de Jamil Almansur Haddad e José Paulo Paes.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich10/01/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A coleção “Maravilhas do Conto” oferece belas oportunidades de viagens por literaturas que geralmente não recebem muito destaque. O volume árabe é uma bela viagem por uma região das mais fascinantes. O livro já começa com o que possivelmente é a melhor introdução da coleção, pois o que Jamil Almansur Haddad fez foi um ensaio dos mais cultos sobre a literatura árabe. Ao contrário dos outros volumes da coleção, esse começa “ao contrário”, ou seja, com os escritores contemporâneos, partindo depois para os antigos, de tradição popular. E começa muito bem, porque o libanês Gibran Khalil Gibran, que comparece com dois contos, é um dos pontos fortes da obra. Há ainda contos dos egípcios Mohammed al-Mouwaihili, Mohammed Taymour (interessante conflito de gerações, de costumes e de visão social no mundo árabe em “No trem”) e Mahmoud Taymour (com o sobrenatural “O fantasma da Tia Khalil”) e Bishr Fares (com o lírico e triste “O barco”). Em seguida estão os contos do “Magreb”, que correspondem ao Marrocos, à Argélia e à Tunísia. À exceção de um conto do marroquino Ahmed Sefrioui, os demais são contos populares e, como tais, anônimos. Essas histórias são curtas, mas muito interessantes, na medida em que revelam aspectos culturais estranhos para nós, seja pela geografia seja pela distância no tempo. Há muito de poesia e muito de acontecimentos “mágicos”, inclusive com animais, coisas que ocorrem com muita naturalidade, a exemplo dos contos africanas (o Magreb, afinal, fica na África). Também há uma seção voltada às lendas religiosas e salta à vista para nós, criados em um ocidente cristão, as similaridades que existem com algumas histórias muçulmanas, como é o caso de José e a mulher de Putifar, ou Salomão e a Rainha de Sabá. Naturalmente, a visão do islã dá uma interpretação bem particular a essas histórias e que é muito interessante acompanhar. Há um conto dessa seção, um pouco mais “moderno”, que é autoral, escrito que foi por Al Jahidz: “Proprietários e locatários” é a curiosíssima história que é basicamente a argumentação de um proprietário para aumentar o preço do aluguel durante o período em que seu locatário recebe dois hóspedes. Há ainda algumas fábulas, de Ibn Al-Muqaffa e Loqman e mais algumas histórias, até chegarmos aos contos dos fabulosos livros “As cento e uma noites” e “As mil e uma noites”. São quatro histórias fascinantes, principalmente "Ali Babá e os Quarenta Ladrões" e "História de Ganem, o Escravo do Amor", verdadeiras obras de arte das narrativas, leituras indispensáveis para quem quer que goste de literatura. Enquanto lemos, ainda aprendemos sobre o mundo árabe e sobre a vida muçulmana. Fascinante.

    1 curtida

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    4.5 / 2
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    Jamil Almansur Haddad

    Foi um crítico, ensaísta, poeta, historiador, teatrólogo, antologista e tradutor brasileiro. Poeta inserido na Geração de 45, foi colaborador em diversos jornais de São Paulo. Foi presidente do Clube de Poesia de São Paulo.

    19 Livros
    2 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Jamil Almansur Haddad