Memorial do Convento -

    José Saramago

    Editorial Caminho
    1983
    357 páginas
    11h 54m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    "(...) A pretexto de escrever um livro sobre a história da construção de um convento em Mafra no século XVIII, Saramago inventou uma história outra, na qual entram outras famílias inesquecíveis a dos Sete-Sóis e a da Sete-Luas, e mais padre Bartolomeu de Gusmão com sua passarola, e o compositor Scarlatti com seu órgão e sua música, e mais reis e rainhas e princesas, e mais uma pedra descomunal que precisa ser transportada a longa distância, e o que acontece durante o transporte. Que pretende - e que consegue - José Saramago com seus livros poderosos? Para mim, isto: fazer o que fez Homero antes dele, isto é, escrever histórias aparentemente reais mas inventadas com tanta competência que depois de lidas passam a ser reais e a fazer parte da longa e sofrida experiência humana. Minha sugestão é: descubram José Saramago e façam dele uma possessão ultramarina particular de cada um e aproveitem." - José J. Veiga

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    Clio01/06/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Memorial do Convento é uma alegoria para a História de Portugal. Saramago entremeia duas construções - a do Convento que nomeia o livro e a uma "máquina voadora" - em que ambas, a instituição e a quimera são formações comuns na literatura portuguesa, onde encontramos isso em clássicos como A Ilustre Casa de Ramires e o tão nosso conhecido Os Lusíadas. Pois, é disso que a história trata, a construção do Estado e senso de aventura lusitano. Saramago utiliza personagens básicos para a narração, mas esses não devem ser confundidos com simples. Sete-Luas e Sete-Sóis representam o estereótipo de seu povo que não fica tão distante assim ao do povo brasileiro: o interesse pelo novo, o misticismo exagerado, o respeito distraído, a desobediência justificada, são todas peculiaridades que permeiam a caracterização de obras latinas. A forma que a história é descrita também lembra um pouco do realismo fantástico que foi tão bem escrito por Garcia Marques, ainda capitaneado por Vargas Llosa - e que tem seus próprios representantes brazucas, como Adriano Suassuna. O estilo do autor pode ser um pouco intimidante para leitores novatos a primeira vista. Não há parágrafos, capítulos ou travessões. Ao invés de tornar a experiência cansativa, ela promove o inverso, sua leitura se torna fluída, dinâmica. Recomendo.

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